Aguardar um par de alianças por muitos anos era o sonho de muitas mulheres que tinham namorado. Porém, essa história vem mudando há pelo menos 20 anos - enquanto os homens querem construir uma família, elas, após tantos direitos conquistados, deixam o casamento em segundo plano e investem na realização profissional.
De acordo com o mais abrangente estudo já realizado no Brasil com 18.862 solteiros que utilizam o ParPerfeito, (www.parperfeito.com.br), maior site de relacionamento do país, as mulheres ficam discretamente atrás deles no desejo de se casar um dia. No entanto, de acordo com a pesquisa, os papéis e anseios de homens e mulheres estão se invertendo
Os homens pesquisados acreditam que o casamento seja para sempre, e quando estão em um relacionamento não fazem tanta questão de atividades individuais quanto elas, por incrível que isso possa parecer. São apenas 35% das mulheres dispostas a abdicar do tempo para si contra 46% dos homens, que garantem abrir mão de programas masculinos para ficar com a amada.
Em 2009, o IBGE também constatou que o número de mulheres que trocava alianças ha 10 anos - entre 25 e 29 anos - era de 19%, o que comprova que a maioria se casava mais nova; esse número subiu para 23%, de acordo com a pesquisa.
Segundo a psicóloga Denise Franco Vicente, de Londrina, essa transformação no perfil da mulher brasileira vem sendo confirmada desde os anos 90. "Tenho observado esse comportamento nos meus pacientes", diz ela que é especialista na área de família. "O acesso à educação e o avanço da medicina - que proporciona oportunidade de se realizar como mãe mais tarde - são alguns dos motivos para que elas estendam esse prazo", afirma.
A realização profissional também é levada em consideração na hora de decidir o futuro. "Elas buscam construir uma carreira sólida e ter uma independência financeira antes de construir uma família", argumenta Denise, acrescentando que as mulheres estão optando se casar entre os 30 e 35 anos.
Não dá para negar que eles estão, sim, mais sensíveis e valorizando as questões familiares. "As atitudes dessa nova mulher - independente e poderosa - refletiram na atuação dos homens, que agora precisam dividir as tarefas dentro de casa", observa Denise. "Eles deixaram de ser unicamente provedores para se tornarem muito mais participativos."

Dedicação total
A estudante de Direito Uiara Vendrame, 21 anos, nem pensa em casar cedo. Ela está no terceiro ano e já vislumbra uma carreira profissional, a qual pretende dar prioridade. "Se eu quiser prestar um concurso, por exemplo, administrar uma casa atrapalharia os meus estudos", afirma. "Por isso, antes de formar uma família quero estar bem estabelecida na minha profissão", confessa, acrescentando que teve grande influência da mãe. "Ela sempre fala que uma mulher não pode depender do marido, tendo ele uma boa condição financeira ou não".

O outro lado da moeda
"Não quero esperar muito tempo para me casar", revela o Policial Militar e estudante de Direito Diogo Lopes, 21 anos. "Acho que o matrimônio faz com que o casal amadureça com as experiências do dia a dia, conciliando diferenças e afinidades, tomando decisões na vida a dois", afirma. Segundo Lopes, o casamento e a sociedade mudaram, mesmo assim a mulher pode tanto se realizar profissional e afetivamente desde cedo. "Hoje as funções são divididas, o marido e a esposa são mais companheiros".


Equilíbrio necessário
Contrariando os dados, a dentista Fabiane Alexandrino Stocco Trintin, casada e mãe da pequena Maria Eduarda, 8 anos, se considera uma mulher realizada. Ela divide seu tempo em duas clínicas e uma escola, na qual ela ministra aulas na área. Como se não bastasse, Fabiane ainda consegue tirar um tempo para ela, para o marido e para filha. "Adoro acompanhar a educação da Duda, levá-la à escola ou ajudá-la com a tarefa", conta. Questionada sobre como consegue levar uma rotina atribulada com tanto dinamismo, Fabiane é enfática: "Não conseguiria ser só mãe ou apenas uma boa profissional; para me sentir feliz preciso exercer essas duas funções."




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"As atitudes dessa nova mulher, independente e poderosa, refletiram na atuação dos homens, que agora precisam dividir as tarefas dentro de casa", diz a psicóloga Denise Franco Vicente
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A estudante Uiara Vendrame considera a carreira na área de Direito a sua maior prioridade
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"Acho que o matrimônio faz com que o casal amadureça com as experiências do dia a dia", afirma Diogo Lopes, estudante de Direito
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Fabiane: tempo para o trabalho e para a família