Paixão por orquídeas
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 20 de dezembro de 1996
Karla Matida 
Londrina sediou no início do mês, a 2ª Exposição Nacional de Orquídeas, promovida pelo Círculo Norte-Paranaense de Orquidófilos. Fundado em março do ano passado, o Círculo conta com 35 associados da cidade e região. Os participantes fazem reuniões, organizam mostras e assistem a palestras sobre as novidades do mundo da orquidofilia.
Para os leigos pode parecer a mesma coisa, mas há uma diferença entre orquidófilos e orquidólogos. Quem explica é a agrônoma Simone Palma Favaro, orquidófila há cerca de 7 anos: O orquidólogo faz o estudo científico; já o orquidófilo é aquele que cultiva a planta por hobby ou interesse comercial, diz.
Quando visitou o orquidário de um amigo, Simone ficou fascinada pela variedade de espécies. Ganhei a primeira orquídea dele, lembra ela que começou seu hobby nessa época. Hoje Simone já tem cerca de 600 vasos, apreciados por parentes e vizinhos que a visitam constantemente. Para ela, o público leigo começa a prestar mais atenção nas formas, tamanhos, cores e perfumes e acaba preservando mais a natureza, evitando a coleta predatória. Para a orquidófila e os associados do Círculo vale a regra de procurar sempre as plantas de laboratório. Há duas formas de germinação, uma através de semente e outra pela propagação de meristema. Com a semente, sempre nasce uma planta diferente da outra. Com o outro método, as plantas nascem como clones, uma idêntica à outra, explica.
Simone ressalta também que muitas pessoas têm o conceito errado de que a orquídea é uma planta parasita. Na verdade, a orquídea utiliza a árvore apenas como suporte para fixação, explica.
De acordo com a orquidófila, já estão catalogadas cerca de 25 mil variedades de orquídeas em todo o planeta, sem contar as espécies da floresta amazônica que ainda não foram registradas, conta. De todas as espécies catalogadas, 10% do total estão em terras brasileiras, número que só foi superado pela Colômbia e Nova Guiné. A orquídea símbolo do Brasil é a Cattleya labiata, uma das espécies que mais se adaptam ao clima tropical, e por isso mesmo uma ótima opção para os orquidófilos iniciantes.
Para Simone, qualquer tipo de hobby é importante, mas as plantas tornam as pessoas sensíveis, tornam o dia mais ameno, explica a orquidófila.
Paixão Sempre gostei de flores. Quando criança gostava de ajudar minha mãe. Entretanto, aos 14 anos ficava ouvindo que flor era coisa de mulher, então parei. Depois que passei dos 30 anos, já casado e com filho, pensei que já podiam falar o que quisessem, afirma o representante comercial Hideto Yamassaki. Decidido, ele começou a cultivar orquídeas meio por acaso. Trouxe a primeira planta de uma viagem a Santa Catarina e não parou mais. Hoje calcula ter entre 2,5 mil a 3 mil plantas no orquidário.
Yamassaki conta que na década de 70, a orquidofilia ainda era um hobby de elite. As pessoas perguntavam o que eu fazia e quando respondia que era representante comercial, ficavam surpresas pois achavam que era um hobby muito caro e eu não conseguiria manter, lembra. Por isso mesmo ele nunca se interessou em participar de associações. Mas foi das reuniões de amigos em sua casa e visitas ao seu orquidário que nasceu o Círculo Norte-Paranaense.
Com a ajuda da mulher Toshie, Yamassaki cultiva plantas até da Ásia, que se espalham pelo orquidário, pelo jardim da casa e até na árvore plantada na calçada. Ao ser questinoado se pretende aumentar o número de orquídeas, Yamassaki é enfático: Acho que já está bom, mas meu orquidário é como coração de mãe, sempre cabe mais uma.


