Que os pais exercem uma grande influência sobre os filhos ninguém pode negar. De acordo com psicólogos, hábitos do dia a dia, a maneira de encarar a vida e reagir a diferentes situações são aprendidos pelas crianças vendo como os adultos mais próximos se comportam.
  E em algumas famílias, muito mais do que herdar costumes e traços da personalidade, os filhos também aprendem com os pais a paixão por um hobby. Acostumados desde pequenos a ver o carinho com que o pai trata seu objeto de desejo e o prazer que isso lhe dá, os pequenos acabam se interessando. Sejam coleções ou atividades de lazer, quem divide um hobby contraria o caminho normal das relação entre pais e filhos hoje – se tornam verdadeiros amigos e passam horas juntos por prazer, e não por obrigação.

  O gerente de escola e presidente do Grupo de Plastimodelismo e Pesquisa de Londrina, Ely Torresim de Oliveira, 38 anos, aprendeu a gostar de miniaturas de aviões e carros com o pai de um amigo, aos 11 anos de idade. Depois, quando cheguei na faculdade, eu parei e só voltei a colecionar quando estava com uns 23 anos’’, conta. Com a chegada do filho, Victor, 8 anos, Ely se preocupou em aproximar o filho de seu hobby. ‘‘Eu o colocava no colo e ficava montando as peças. Acho importante que os filhos se sintam bem-vindos no ambiente dos pais. Se ele não a gostar das mesmas coisas, pelo menos não vai odiar’’. Mas como permitir que uma criança mexa em objetos tão delicados como as miniaturas de Ely? Ele mesmo ensina a fórmula. ‘‘Quando Victor estava um pouco maior, peguei um dos modelos mais antigos que eu tinha e deixei-o fazer o que quisesse. Claro que depois de dois minutos estava tudo quebrado. Foi aí que conversei com ele e expliquei que aquilo uma peça delicada, e não um brinquedo. Hoje, ele até cuida da coleção quando algum amiguinho vai em casa e quer brincar’’, diz. A dedicação do pequeno Victor já rendeu até prêmios nos campeonatos que ele participa com o pai. O pai se diz orgulhoso com a afinidade do filho que o acompanha sempre. ‘‘Temos um grupo de praticantes e Victor é o nosso mascote’’, garante. Com a chegada do filho mais novo, Thomas, de 1 ano e 8 meses, Ely voltou a tomar cuidado com suas peças. ‘‘O escritório fica fechado porque eu uso tintas e colas tóxicas. Mas assim que ele ficar maior, será bem-vindo também’’.


  O empresário João Moacyr Mayo, 59 anos, curte motocicletas desde 1960. No princípio era uma lambreta, que evoluiu para uma Honda 125 – usada até hoje por ele – e depois para uma CB400. ‘‘Quando comprei a Honda, meu caçula, o João Filho, tinha acabado de nascer. Quando precisávamos sair, ia todo mundo empilhado na moto: eu, a mulher e os três meninos’’, conta. Na opinião de um dos filhos, o empresário Wagner Mayo, 30 anos, o gosto pelas duas rodas vem, com certeza, da paixão do pai. ‘‘Nós crescemos em cima de uma moto e aprendemos a gostar. Digo que isso está no nosso sangue’’, garante. Mas como todo pai, João se preocupava com a segurança dos filhos e não permitia que os rapazes tivessem a sua. ‘‘Os dois mais novos compraram juntos um consórcio de moto, sem eu saber. Quando descobri, falei que não queria aquilo, mas eles não aceitaram e eu não podia fazer nada. Depois, o Wagner comprou outra moto potente e daí os dois começaram a viajar juntos’’, lembra. Para não incentivar os filhos, o pai continuava com seu modelo 125, usado apenas para passeios na cidade. ‘‘Mas nós queríamos que ele viajasse com a gente e ficávamos falando para ele comprar uma moto maior’’, diz Wagner. João aceitou a idéia e passou a acompanhar os filhos nas viagens e encontros de motociclistas. ‘‘Para nós, é um orgulho levar nosso pai junto. Ele tem muita disposição e é um exemplo para mim. Gosto muito da companhia dele’’, afirma.

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