Pais separados
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quinta-feira, 10 de agosto de 2006
Da Editoria 
Se a prova de fogo de um relacionamento é apresentar o namorado aos pais, imagine quando, além da sogra, o ritual familiar ainda envolve a aprovação dos filhos. Com o número cada vez maior de divórcios e separações, aumenta também a quantidade de pessoas que, depois de ganharem o título de papai e mamãe, voltam a procurar um novo amor. Mas será que é possível conciliar o início da relação com a obrigação de preparar a mamadeira, trocar a fralda e educar as crianças?
Para o psicólogo Sebastião Alves de Souza, especializado em terapia familiar, o segredo para quem quer conduzir um novo relacionamento após ter tido filhos é saber separar o papel de pai do de namorado. Não há como substituir um pelo outro. A educação da criança deve ser dividida entre os pais. Reconstruir a vida amorosa é ótimo e muito saudável, mas, de forma nenhuma, isso pressupõe abdicar da lista de responsabilidades com os filhos, alerta Souza.
Mas não é apenas quem quer arrumar outro namorado ou namorada que pode enfrentar problemas com a cria. O outro lado da moeda acontece quando o casamento termina e é o ex que consegue um novo par primeiro.
A secretária Natália Augusta Machado Alvarenga, de 24 anos, fala que não é nada fácil explicar para o seu filho de apenas 3 anos que o pai tem uma nova namorada. Fiquei casada cinco anos e me separei há seis meses. Meu ex-marido já tem outra pessoa e, na cabeça do meu filho, é tudo muito complicado. Ele não entende que o pai tem uma namorada e, ao mesmo tempo, não aceita que eu me relacione com homens diferentes. É muita confusão e eu não consigo esclarecer as coisas para ele, lamenta Natália.
O diálogo com os filhos é a melhor forma de lidar com as situações, roeitna o psicólogo Sebastião de Souza. O principal é ser o mais honesto possível. Às vezes, a pessoa prefere esconder o relacionamento, tanto o próprio, quanto o do ex-cônjuge, por medo da reação da criança. Mas a minha experiência revela que a verdade sempre é aceita de melhor forma. Isso não quer dizer que a mãe ou o pai precise expor qualquer relação. Sempre é bom ter o cuidado de levar o namoro para dentro de casa quando ele já está estável. Caso contrário, o filho pode perder o modelo familiar, completa o especialista.


