Muitas pessoas não reconhecem a importância da brincadeira na infância, mas os especialistas garantem que a prática é um fator determinante para o bom desenvolvimento emocional, cognitivo e social. ''Brincar é coisa séria e possibilita articulações significantes. Por meio da brincadeira, a criança elabora e faz ligações dos acontecimentos de sua vida'', explica a pós-doutora em psicologia Cleide Vitor Mussini Batista.
O brincar, de acordo com ela, é uma produção ampla que se estende ao longo de toda a infância, mas que não permanece sempre igual. ''Ainda que apresente uma insistência em torno de certos temas, a brincadeira vai articulando diferentes respostas da criança diante do outro'', pontua.
Nos primeiros anos, por exemplo, a brincadeira está muito relacionada ao faz de conta, mas com o tempo o interesse pelos jogos de regras ganha espaço. ''Com isso, a criança passa a estabelecer a oposição entre vencedor-perdedor, certo-errado, justo-injusto, bem-mal'', ressalta.
Cleide lamenta que o brincar muitas vezes é visto como algo não sério e leviano. ''Primeiro, faz-se o que é sério e depois é permitido brincar. A ideia da infância está desaparecendo devido a estímulos que levam a adultização da criança. Para onde quer que a gente olhe, percebe-se que o comportamento, a linguagem, as atitudes e os desejos de adultos e crianças estão cada vez mais indistinguíveis'', diz.
Ela defende que seja assegurado à criança a liberdade de brincar no cotidiano familiar e escolar, garantindo assim o pleno desenvolvimento de sua personalidade e potencialidades. ''É preciso ter cuidado para não tirar a oportunidade delas serem elas mesmas'', observa, alertando que
a criança - na sua aparente fragilidade - pode revelar aos adultos muitas verdades que eles não conseguem mais enxergar e nem mesmo ouvir.
A orientação dos especialistas nas áreas de educação e psicologia é clara: é de suma importância que os pais reservem um tempo para brincar com seus filhos, cantar, jogar e compartilhar as experiências de sua infância. (P.C.B.)

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