Envergonhado com tantos flashes, o pequeno Pietro Antonio Gardoqui Palumbo recorre ao colo do pai, Marco. É o senso de proteção que o pai fez questão de transmitir ao filho logo no primeiro momento. ''Proteção 24 horas'', alerta Marco, que está às vésperas de ganhar outro herdeiro. Nicolas deve chegar no final de setembro e para tanto o empresário já se prepara para passar noites em claro nos primeiros meses. Em contrapartida também sabe que vai ser ótimo estar sempre por perto para o primeiro sorriso, o primeiro abraço, as primeiras palavras balbuciadas.

Mesmo com a filha, Fabiana, vivendo nos Estados Unidos e viajando pelo mundo todo a trabalho, Sidnei tem todas as conquistas da modelo internacional devidamente arquivadas em quase duas dezenas de álbuns. É o jeito que o pai coruja arrumou para acompanhar de perto a carreira da filha e também poder mostrar agora para os amigos e no futuro para os netos e bisnetos.

Foi pensando no futuro da sua empresa, o Colégio Universitário, que Alderi Ferraresi e seus sócios começaram a delinear a sucessão. Foi assim que ele trouxe dois dos três filhos para trabalhar no colégio. Para o pai patrão e para os filhos funcionários, a cobrança é bem maior do que numa relação não tão familiar. Mas o trio vai tão bem que até se mudou para a mesma vizinhança. Pai e filha, aliás, moram no mesmo prédio. E adoram a proximidade. E no Dia dos Pais, nada melhor do que estar bem perto do pai carinhoso, do pai-coruja, do pai patrão, do pai músico, do pai pescador... do seu pai.


Paizão
''Pai só percebe que é pai quando você pega o filho no colo pela primeira vez. E nesse primeiro minuto já pensa em tudo o que vai ensinar e passar pra ele'', conta Marco Palumbo, pai de Pietro, de 1 ano e 11 meses e à espera de Nicolas, que deve chegar no final de setembro. ''A gente quer que o filho tenha sucesso, que possa sentir a mesma felicidade que sentimos''. E quando pensa nisso vai apertando o neném porque quer passar proteção. ''São 24 horas de proteção'', ensina o empresário, que passou muitas noites em claro nos seis primeiros meses de Pietro. A participação do pai presente só esmorece um pouco na hora da troca das fraldas. ''É a única tarefa da qual me esquivo'', entrega Marco, que acredita que já tem tudo. ''Você percebe que está completo quando, num sábado, está no sofá com o filho e a mulher grávida'', avisa o empresário, que acredita que nem mesmo um superpai pode suprir o lugar da mãe. ''A criação do filho tem que ter a presença do pai e da mãe'', garante.


Pai patrão
''É comum as empresas sucumbirem na sucessão'', diz Ferraresi, que mesmo antes de pensar na troca de bastão no seu colégio, já tinha empregado o filho Rodrigo. A contratação de Rodrigo como office-boy foi ''para dar responsabilidade'', lembra o pai. Os anos passaram e Rodrigo cresceu não só física como profissionalmente. Contiua trabalhando sob os olhos atentos do pai, mas já tem autoridade e carta branca que o cargo de supervisor administrativo exige. Ao contrário do irmão Rodrigo, Verlaine não pensou em trabalhar nos negócios da família até algum tempo atrás. Atual supervisora pedagógica do colégio, Verlaine se formou em biologia e só descobriu durante a faculdade o interesse em dar aulas. Mesmo com o ótimo relacionamento entre pai e filhos/patrão e empregados, os três admitem que a pressão é dobrada para ambos os lados. ''As cobranças são maiores quando se é filho do patrão. Você tem que mostrar que está aqui pelos próprios méritos'', conta Rodrigo. Para Verlaine, ''o difícil é estabelecer limites entre a hora em que você é filho e a hora em que é funcionário''. O lado positivo da família trabalhar unida é a liberdade. ''As decisões ficam mais ágeis porque temos liberdade que um patrão não teria com um empregado, nem um empregado teria com o patrão'', explica o pai, que só não é patrão de uma terceira filha, que é médica.


Pai-coruja
Para os pais, os seus filhos, é claro, são sempre os mais bonitos. Só que para Sidnei Semprebom a clássica corujice tem respaldo internacional. A filha Fabiana é modelo e desfila sua beleza pelos quatro cantos do mundo. Como não podia estar ao lado da filha o tempo todo, coube à mãe Lucinete a função de acompanhar a garota, que começou na carreira aos 14 anos, mas Sidnei criou uma maneira toda especial de acompanhar os passos de Fabiana. Munido de tesoura, cola, álbuns e muitas revistas e jornais, o pai da modelo vem montando um impressionante arquivo sobre a filha. Até a última contagem eram 18 álbuns, sendo que o último tinha apenas mais duas páginas em branco. ''Ele é o mais coruja de todos'', avisa Fabiana, em passagem relâmpago pela cidade, entre um trabalho no Rio de Janeiro e outro no Caribe. ''Sempre que ela sai numa revista compro logo duas ou três para mostrar para os amigos'', explica Sidnei, que também já pensa nos bisnetos. ''Ela vai poder mostrar isso para eles um dia'', sonha. ''A gente sempre torcia por ela, mas não imaginava que ela chegaria onde chegou. A Fabiana já conhece 15, 20 países, fala inglês fluentemente. Tremi nas pernas quando ela começou. Imagina uma garota do interior se mudar para São Paulo e logo ir morar em Miami?'', lembra Sidnei, que também é pai de Rodrigo, de quem também é bem coruja. ''Ele está morando em São Paulo e começando a fotografar'', avisa.

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