Pacientes difíceis
Eles brigam pela saúde de seus pacientes, alguns com tamanha competência, dedicação e carinho que muitas vezes são vistos quase como deuses, até pela infalibilidade que a medicina inspira. No entanto, os médicos reconhecem que nem sempre é fácil praticar os mesmos princípios de saúde que pregam aos seus pacientes. Alguns fumam, são sedentários, se alimentam mal e raramente vão ao médico. Como qualquer outro mortal de nosso tempo, eles também se deixam escravizar pelo corre-corre diário, embora saibam mais do que ninguém as consequências desse tipo de vida.
O médico pediatra Issao Yassuda Udihara, 47 anos, é um deles. A última vez que foi a um médico já faz três anos. E só aconteceu porque tinha um nódulo benigno na tireóide. Passado o susto, voltou à rotina normal. Fuma, só pratica atividades físicas nos finais de semana, alimenta-se mal e tem pouco tempo para a família e o lazer. Um workaholic convicto, Udihara acorda cedo, toma apenas um café com leite e antes das 8 horas segue para os hospitais, onde tem pacientes internados. Entre 9 horas e 9h30 vai para o consultório, onde fica até as 19 horas.
A ginecologista Olívia Nassif Fernandes tira férias duas vezes ao ano e pratica hidroginásticaSeu almoço, geralmente, se resume a um lanche rápido em algum lugar próximo à clínica. Embora faça questão de, pelo menos, jantar com a família, Issao reconhece que nem sempre é possível estabelecer um horário tranquilo. Não raro, o seu dia só termina após reuniões em uma das entidades em que atua. Ele é vice-presidente da Associação Médica de Londrina e da Cooperativa dos Médicos de Londrina (Unimed).
Arquivo pessoalJosé Carlos Schaefer: trilhas de ciclismo nos fins de semana e folgas de quatro dias a cada três mesesIssao diz que algumas vezes se pergunta se vale a pena acumular tantas atividades. Meu ritmo de trabalho é grande. A família reclama. Onde quero chegar com isso? Não sei. Constantemente estou me reavaliando nesse sentido. Apesar disso, não me sinto estressado. Acredito que isso acontece pelo fato de ter prazer no que faço. A rotina só é quebrada com duas viagens ao ano. Uma para congressos de pediatria ou neonatologia e outra a passeio com a família, diz. O passeio não tem data fixa, mas geralmente não dura mais que cinco ou seis dias. Em 97, não consegui sair, mas prometi para a família que tiraria uns dias durante este mês, revela.Arquivo pessoalO pediatra Issao Udihara se diz um workaholic convicto, mas sempre procura reavaliar sua qualidade de vidaJossânia Navolar





