Ovários policísticos: doença ou sintoma?
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sexta-feira, 25 de janeiro de 2008
Herika Fondazzi<br> Reportagem Local 
Até pouco tempo atrás, a medicina acreditava que a causa para ovários policísticos era um distúrbio hormonal. Mas estudos recentes mostram que a doença nos ovários não acontece, na maioria dos casos, exatamente neste órgão, mas no sistema metabólico. O problema nos ovários seria apenas um sintoma da disfunção metabólica, e não uma doença isolada.
Para o ginecologista e obstetra Dalmo Borges Ramos Júnior, tratar a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) deve ser muito mais do que apenas receitar pílulas anticoncepcionais. ''É necessário tratar a paciente como um todo. A pílula resolve o problema das mulheres que não pretendem engravidar, mas para aquelas que querem ser mães não é uma solução. A pílula combate o sintoma sem resolver a causa'', afirma.
A doença atinge cerca de 5% das mulheres em fase fértil e se caracteriza, segundo o especialista, pelo acúmulo de óvulos dentro dos ovários. ''O problema começa quando a parede dos ovários fica mais espessa que o normal, impedindo que o óvulo a rompa. Os óvulos vão se acumulando nos ovários, formando os cistos e, quanto mais cistos, mais os óvulos se acumulam, criando um círculo vicioso'', explica.
O metabolismo atua provocando esse engrossamento dos ovários quando há um aumento do consumo de calorias. ''Quando a pessoa consome muitas calorias, precisa produzir mais insulina para absorvê-las e isso provoca alterações em várias partes do corpo, uma delas é o aumento da espessura do ovário. Mulheres acima do peso têm mais chances de desenvolver o problema. Pacientes com IMC acima de 40 têm praticamente 100% de chances'', garante o médico.
Mas a genética também é um fator importante para o surgimento dos ovários policísticos. ''Por isso, vemos casos de mulheres magras, que não têm acne nem pêlos mas apresentam a síndrome. Provavelmente a causa é hereditária. Os problemas metabólicos não são os únicos motivos para complicações nos ovários, mas são os mais comuns sem dúvida'', afirma Dalmo.
Além da acne e dos pêlos, principalmente no rosto, no peito e no abdômen, as irregularidades na menstruação e, consequentemente, a dificuldade de engravidar são grandes complicações que os ovários policísticos trazem. ''Como o óvulo não rompe o ovário, não ocorre a menstruação e nem a possibilidade de fecundação. Já os sintomas de acne e pêlos não precisam necessariamente aparecer sempre juntos. É possível afirmar que mulheres que estão no peso ideal, sem acne ou excesso de pêlos, não possuem ovários policísticos, embora os exames digam o contrário'', comenta.
Ele explica que cerca de 50% das mulheres detectadas como portadoras de SOP na verdade não possuem problema algum. ''A textura ovariana é bastante difícil de ser examinada com precisão e pode confundir facilmente. A consulta clínica nesses casos, detectando os outros sintomas, é mais confiável'', diz.
O tratamento adequado para resolver o problema, segundo o ginecologista, é tratar os ovários e também o metabolismo. Apenas o tratamento de indução de ovulação, que era praticado até agora, já não é suficiente. ''Para as mulheres que querem engravidar, usamos essa opção combinada com a redução da resistência à insulina, juntamente com dieta e exercícios físicos. Para as pacientes que não pretendem engravidar, trocamos apenas o indutor de ovulação por um anticoncepcional e mantemos as demais alternativas. Mas seja qual for o desejo da mulher, procurar ajuda médica é fundamental porque os ovários e seus sintomas são sinais de que algo no organismo não está certo'', afirma.
Segundo ele, o metabolismo é tão determinante para os casos de ovários policísticos que apenas a perda de peso elimina o problema. ''Tenho pacientes que quando perderam peso voltaram a menstruar normalmente, eliminaram os pêlos e a acne e até engravidaram sem o uso de medicamentos'', garante.


