Ouvidos saudáveis
Da Redação
Quem ouve aprende melhor. Com este slogan, os Ministérios da Educação e Saúde estão desenvolvendo uma campanha inédita, que pretende alcançar cerca três milhões de crianças de 1ª série do ensino fundamental em 40 mil escolas públicas brasileiras. A campanha, que conta com a colaboração das Sociedades Brasileiras de Otologia, Otorrinolaringologia, Fonoaudiologia e da Fundação Nacional de Ensino, tem como meta atingir 37.666 escolas todas das redes estadual e municipal. Estima-se que 2,8 milhões de crianças de 1ª série sejam testadas e que 15% apresentem perda auditiva.
Na primeira fase, os professores realizam uma pré-triagem para detectar as crianças com problemas auditivos e encaminhá-las aos médicos da rede SUS e voluntários. Para facilitar a pré-triagem, o Governo está encaminhando às escolas um kit com duas fitas de vídeo, duas cartilhas do professor e material informativo para os alunos. As crianças que não forem bem no teste serão examinadas por médicos otorrilanolaringologistas e avaliadas por fonoaudiólogos, numa segunda etapa da campanha.
De caráter fundamentalmente social, a campanha também coincide com uma das metas mais importantes da Organização Mundial de Saúde para 2001: lidar com doenças que afetam a comunicação e levam à marginalização, exclusão e incapacitação profissional de pessoas que apresentam algum tipo de problema, entre eles a perda audititiva. O combate à surdez deverá diminuir o índice de repetência e evasão escolar junto à rede pública de ensino do País.
Todos sabem que a audição é um dos sentidos mais importantes, principalmente na fase escolar. Mesmo as perdas auditivas leves podem causar problemas de aprendizado. Na maioria dos casos, os motivos são resfriados, alergias, dores de ouvidos e de garganta frequentes. Muitas vezes pode ser apenas cera nos ouvidos! Em geral, essas perdas são temporárias e tratadas de forma simples. Mas, sem tratamento, podem se tornar graves.
Cerca de 4% das crianças com 7 anos de idade estão sujeitas à perda de audição. É comum, no entanto, que pais e professores pensem tratar-se de problemas psicológicos ou incapacidade para o aprendizado. Esta simples falta de informação pode ter graves consequências no desenvolvimento da criança, comprometendo todo o futuro.
Se você quiser saber mais sobre a campanha, visite o site www.hcnet.usp.br/otorrino ou Disque Educação/Ministério da Educação (0800) 610404 e Disque Saúde/Ministério da Saúde (0800) 611997.
Saiba que...
A surdez pode ser prevenida
Em escala mundial, para cada mil indivíduos, um nasce com surdez profunda
Crianças brasileiras com perdas auditivas são avaliadas tardiamente por falta de conhecimentos básicos, comprometendo seu desenvolvimento psicossocial
Alunos com perda auditiva rendem 4% menos na escola
A Organização Mundial de Saúde avalia que a perda auditiva afeta
7% da população mundial, alcançando taxas de 10% a 12% em países em desenvolvimento
Usar haste flexível para limpar os ouvidos é inútil e perigoso
A rubéola é uma das maiores causas de surdez em recém-nascidos
Além da rubéola, problemas de incompatibilidade sanguínea pelo fator RH, parto prematuro, doenças da infância (sarampo, coqueluche, meningite cachumba) e problemas congênitos aumentam o risco de perda auditiva
Ninguém sabe o número de surdos no Brasil, embora eles sejam estimados em mais de 15 milhões
Podem ocorrer perdas auditivas em consequência de ruídos muito altos e próximos aos ouvidos, pancadas violentas nos ouvidos, objetos introduzidos pela criança no canal do ouvido
A perda auditiva pode ser de vários tipos: parcial ou total, temporária ou permanente.
Sinais de alerta
ReproduçãoOs bebês aprendem a falar ouvindo, e a surdez na primeira infância pode alterar bastante o desenvolvimento da falaOs sintomas de surdez variam com a idade. Se uma criança apresentar um dos sinais aqui descritos, leve-a a um posto de atendimento médico ou procure um otorrinolaringologista. Até mesmo os recém-nascidos podem ser tratados. Confira os principais sintomas de acordo com a faixa etária:
Recém-nascido
O bebê não se assusta quando alguém bate palmas a 2 metros de distância
O bebê não pára de chorar mesmo quando a mãe fala com ele
De 8 meses a 1 ano
A criança não vira a cabeça na direção dos sons familiares
Também não murmura quando é estimulada pela voz humana
1 ano e meio
Ela não é capaz de falar palavras simples mamãe, papai, vovó, etc
Não consegue identificar partes do corpo quando alguém pergunta
2 anos
A criança não consegue fazer coisas simples sem dicas visuais
É incapaz de repetir frases
3 anos
Ela não consegue localizar de onde vem os sons
Não compreende e não usa palavras simples como eu, você, quente, frio
4 anos
Não é capaz de contar com coerência alguma experiência recente, como um simples passeio
Não consegue obedecer duas ordens verbais ao mesmo tempo
5 anos
A criança não consegue ter uma conversa simples
Sua fala pode ser difícil de compreender
Idade escolar
Distração constante
Desempenho escolar abaixo da média
Resfriados e dores de ouvido frequentes
Fonte: Sociedade Brasileira de Otologia, fone (11) 831-8474





