Como você comemora o Carnaval? Se essa pergunta fosse feita há 30 anos, certamente muitas pessoas responderiam que iriam passar os dias de folia dentro dos clubes da cidade, em encontros onde as fantasias e o glamour dominavam as noites.
A festa popular mais grandiosa do Brasil ganha características regionais próprias, que quase sempre incluem muita farra e brincadeira. Em Londrina e região, como em tantas outras cidades interioranas pelo Brasil, as décadas de 1980 e 1990 foram marcadas por festas em clubes que conjugavam alegria, amizade, bandas e integração de gerações.
Hoje, clubes e agremiações já não realizam mais o Carnaval como antigamente - a maioria, aliás, nem aposta mais nesse tipo de festividade. Carnaval para quem reside em centros de médio e pequeno porte é sinônimo de viagem, principalmente, rumo às praias.
''Pulei muito Carnaval em clubes. Foram mais de 10 anos participando dessa festa. Ganhei vários troféus de melhor fantasia. Era uma época deliciosa, existia disputa entre os clubes. As fantasias começavam a ser pensadas e preparadas um ano antes da festa, ninguém revelava o que ia usar, assim gerava-se uma expectativa. O ambiente era familiar, as pessoas bebiam, sim, mas era algo mais contido. Pulávamos as quatro noites e eu e meu esposo sempre íamos embora quando já estava dia'', relembra a empresária Aurea Saraiva Riboni.
A divisão dos que gostam de comemorar e os que preferem sossego sempre existiu, mas em um país onde Carnaval é sinônimo de folia, a grande massa sempre se rendeu à alegria dessa celebração. Mesmo com todo sucesso que eram os dias de folia em salões, é mesmo na esfera popular, ou seja, nas ruas, que o Carnaval adquiriu formas genuinamente autênticas e brasileiras. Da marchinha ao samba, a festa foi se tranformando com os anos.
''A tradição de festas em clubes não foi conservada e a maneira com que as pessoas comemoram hoje, principalmente em cidades menores, mudou muito. Os jovens escolhem praias ou o Carnaval de cidades maiores como Rio de Janeiro e São Paulo. Como não há mais essa opção de festa como antigamente, vou para praia ou fico em casa assistindo pela TV. Acho que o Carnaval perdeu a graça, recuperar a festa como era no passado é muito difícil. Hoje os adolescentes acham que podem tudo, bebem demais e as consequências são quase sempre desastrosas'', opina Aurea, que completa dizendo que 'se o glamour do Carnaval dos clubes retornasse, ela com certeza estaria presente. ''Mas não com o mesmo pique'', brinca.


Imagem ilustrativa da imagem Outros carnavais...
| Foto: Ricardo Chicarelli
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Aurea Saraiva Riboni, empresária: ‘‘Pulei muito Carnaval em clubes. Foram mais de 10 anos participando dessa festa. Ganhei vários troféus de melhor fantasia. Era uma época deliciosa, existia disputa entre os clubes’’