Fotos: Marcos Borges Modelo: Lílian KogaAs argolas são clássicas, e agora dão o toque fashion à temporada sem prejudicar o orçamento

Até pouco tempo atrás, comprar jóias significava pagar ‘‘os olhos da cara’’. Hoje, elas ainda não saem a preço de banana, mas já é mais fácil comprar. Números do Conselho Mundial do Ouro, que atua em 25 países e tem como missão promover o mercado aurífero no mundo, estima que as vendas de jóias tiveram um crescimento de 20% em todo o Brasil, comparando 1996 com o ano anterior.
Só em São Paulo, Associação dos Joalheiros do Estado de São Paulo (Ajesp) estima que o faturamento do setor tenha sido 6% maior que em 95. A diferença de valores fica por conta dos preços menores das peças vendidas. Jóias mais baratas significaram um aumento no número de peças, e que não se refletiu da mesma forma no faturamento total. A previsão da Ajesp, que ainda não concluiu o balanço de 96, é de um aumento de 15% na quantidade de jóias vendidas.
Em Londrina, o cenário não foi diferente: mais pessoas comprando e gastando menos. O perfil dos consumidores de jóias mudou a partir da estabilização do Plano Real. De acordo com Ivete Monteiro Alves, gerente da Bergerson, ‘‘as jóias não foram reajustadas, mantendo o mesmo preço do começo do Plano’’. A vantagem da economia estável é a facilidade de pagamentos e prazos maiores. O preço da jóias pode ser dividido em até 10 vezes, dependendo da joalheria.
Para Deise Cremasco, gerente da Big Ben, o cadastro de clientes inclui ‘‘pessoas que recebem salário mínimo, como diaristas’’. Há 30 anos no mercado e acostumada a vender ‘‘jóias mais leves a preços menores’’, a gerente Deise Cremasco acrescenta que ‘‘não foi preciso mudar nada para atrair novos clientes’’. Só na loja de Londrina, as vendas do Natal passado, comparadas a 1995, cresceram 80%, em faturamento.


O preço do tênis paga uma parcela do anel, cujo pagamento pode ser dividido em seis vezes

A procura por jóias a preços mais acessíveis mudou o perfil de joalherias tradicionais como a Bergerson, que no Natal do ano passado enviou o catálogo a clientes em potencial. A maioria das jóias apresentadas tinha preços mais acessíveis. ‘‘A jóia mais cara custava cerca de R$ 4 mil’’, conta Ivete Monteiro Alves.
Quem presenteia com jóias ‘‘não tem como errar’’, explica a gerente da Bergerson. E não dá para esquecer o velho clichê, ‘‘jóias são eternas’’. Com esse pensamento, compradores natalinos optaram por presentes em ouro ao invés dos jeans de grife e perfumes importados. Pingentes a partir de R$ 15 e brincos de argola a R$ 76,00 foram os grandes atrativos do Natal e prometem se manter em alta. Ainda mais que a moda agora privilegia o dourado. Nada melhor para estar em dia com as dicas fashion do que usar peças em ouro legítimo.
Na Monalisa Jóias, as peças mais baratas nunca estiveram tão em alta. ‘‘Sempre tivemos jóias baratas, mas agora elas começam a ser mais pedidas’’, explica a gerente Ana Lúcia de Alencar Esteves. O aumento nas vendas da Monalisa foi de 20 a 30% com relação ao Natal de 95. Para Ana Lúcia, ‘‘não é a jóia que está barata, é a roupa que está mais cara’’.


As pulseiras tipo algema estão em alta e têm como opção os mais variados modelos de pingentes
De acordo com a gerente da M. Korn, Adriana Valiatti de Oliveira, ‘‘no Natal, não vendemos as peças baratinhas, e sim as mais caras’’. Um exemplo que surpreendeu até os vendedores foi o ‘‘caucho’’, um cordão de borracha com arremate em ouro e pingente, que custa R$ 35,00. ‘‘A garotada adora e nós vendemos bastante, mas no Natal não saiu’’. A maior procura foi por jóias mais caras, com valores em torno de R$ 400,00. ‘‘Dividindo em cinco vezes, era como se a pessoa presenteasse com uma calça por mês’’. A gerente lembra que as pessoas são ‘‘movidas por promoções’’, e a loja ofereceu descontos e prazos reais.

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