Sempre dizem que quando nasce um bebê, nasce uma mãe. E que com ela nasce também a necessidade de proteção. Desde o primeiro momento, a mulher sente o desejo de zelar pelo seu bebê, que chega ao mundo tão indefeso e dependente. É indiscutível a importância da presença materna, especialmente nos primeiros meses e anos de vida, mas é preciso ter cuidado para não ''exagerar na dose''. Especialistas alertam que a superproteção pode trazer consequências negativas ao futuro da criança.
''Crianças superprotegidas pelos pais muitas vezes não desenvolvem autoconfiança e autoestima. Isso é muito prejudicial, pois podem se tornar adultos sem iniciativa, criatividade, pouco independentes e, às vezes, até agressivos'', alerta a psicóloga clínica Annie Wielewicki, de Londrina.
Ela destaca que, conforme a criança vai crescendo, é preciso ensiná-la a fazer as coisas por si. ''Isso começa em situações rotineiras, como se alimentar e se vestir. No início, a mãe tem que fazer tudo pela criança. Com o passar do tempo deve fazer as coisas junto e depois deixar que ela faça sozinha'', orienta.
Um ponto negativo é que muitas mães tentam - a todo custo - evitar a frustração de seus filhos. Com isso, tornam-se superprotetoras e até mesmo permissivas. ''Algumas mães chegam a fazer as tarefas escolares para evitar que a criança cometa erros. Isso não está certo. É preciso dizer não e impor limites desde muito cedo'', aponta.
A superproteção é encarada por algumas mães como uma forma de demonstrar amor aos filhos. Isso, porém, não corresponde à realidade. ''É preciso preparar a criança para a vida. Uma hora ela terá que enfrentar sozinha a escola, o trabalho e outras situações'', defende a psicóloga.
Mas a tarefa nem sempre é fácil. Encontrar o equilíbrio é um dos maiores desafios da maternidade. ''Sempre procurei protegê-las o máximo possível, ser presente, compartilhar momentos, dialogar'', afirma a vendedora Alexsandra Hoffmann Seregni, mãe de Thamires, de 16 anos, e Stephani, de 12.
Ela conta que não deixava as meninas frequentarem a casa de amigos sem antes conhecer a família. ''Só dormiram fora de casa quando tinham entre 9 e 10 anos. Até hoje quando vão na casa de um colega da escola, por exemplo, procuro ligar para a mãe para saber onde minhas filhas vão estar e com quem. Hoje tudo está muito perigoso'', ressalta.
Apesar de se considerar superprotetora, ela garante que tenta não exagerar, pois reconhece a importância de desenvolver a independência das filhas. ''Não é fácil. O amor é tão grande que queremos proteger sempre, cuidar em todas as situações. Mas elas já são adolescentes e devem resolver seus próprios problemas. A terapia me ajudou bastante'', conta Alexsandra, que buscou o acompanhamento de uma psicóloga para uma das filhas e acabou aprendendo muito.
De acordo com Annie, os pais devem estar abertos e procurar ajuda quando houver necessidade. ''É importante conversar com outros pais, fazer leituras sobre o assunto e buscar ajuda profissional. Tudo isso ajuda a encontrar o equilíbrio'', pontua.
Alexsandra acredita que está no caminho certo. ''Sinto-me uma mãe feliz. Minhas filhas são companheiras e muito apegadas à família. Creio que consegui dosar a proteção dispensada a elas'', diz, ressaltando que é importante dialogar com os filhos para conhecê-los o máximo possível. ''Transmitir valores cristãos também é fundamental na educação'', finaliza.

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