A maioria das mães acharia inofensiva uma penteadeira infantil repleta de estojos de maquiagem. Mas a jornalista Angela Tostes e sua filhota, Joana, de 5 anos, torcem o nariz para a brincadeira de se pintar. Em julho do ano passado, surgiu em torno dos olhos da menina uma irritação que custava a passar. A mãe, que é alérgica a várias substâncias e por isso não tem em casa maquiagem nem esmaltes, procurou o pediatra, depeois o homeopata, mas a alergia continuava a piorar. O rosto de Joana começou a ficar inchado e a pele, a descamar.
  Quem matou a charada foi o dermatologista Pedro Freitas Ribeiro, que deduziu que a reação pudesse estar sendo causada pela maquiagem que a menina passara na escola por causa dos festejos juninos. Joana foi tratada com corticóides e aprendeu que não pode usar nadinha no rosto de princesa que tem. Segundo os médicos, o caso da pequena é exemplo de um fenômeno que só faz aumentar: o uso de cosméticos por crianças e o conseqüente surgimento de alergias, que em casos muito extremos podem ser fatais.
  ‘‘Pessoas muito sensíveis podem ter edema de glote, que dificulta a respiração’’, explica o médico Carlos Loja, chefe do Serviço de Alergia e Imunologia do Hospital de Servidores do Estado e presidente do Comitê de Alergia Pediátrica da Sociedade Brasileira de Pediatria do Rio de Janeiro.
  Mas nem tudo é proibido no jogo da beleza infantil. Segundo a terapeuta comportamental Debora Gil, do Núcleo de Medicina do Comportamento, cuidar da aparência é fundamental. ‘‘Isso é importante para o desenvolvimento infantil’’, diz ela, acrescentando que cabe aos pais identificar a fronteira entre o lúdico e o perigoso.

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