Os perigos da hipertensão
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quinta-feira, 05 de outubro de 2000
Liliam Raa Agência Estado 
Conhecida por ser uma doença silenciosa, a hipertensão é difícil de ser detectada. Segundo os médicos, pode ser a causa ou a consequência de algum outro problema sério. Uma companhia de seguros americana descobriu, com estatística dos associados, que a hipertensão era um problema sério, influenciando no índice de mortalidade, conta Agostinho Tavares, nefrologista, do Hospital do Rim e Hipertensão da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). A novidade está por conta de novos testes que estão avaliando a real necessidade diária de medicamentos para controlar o mal.
Na maioria dos casos, a pressão alta não tem causas conhecidas, mas os especialistas garantem que o fator genético é muito forte. Pode-se ter condições ambientais que contribuam para a manifestação do problema, mas principalmente porque a genética já era propícia, adverte Tavares. No entanto, também são registrados casos de pessoas que não têm familiares com hipertensão e tornaram-se hipertensos por causa de outros fatores.
Problemas Obesidade, sedentarismo, fumo, consumo excessivo de álcool e sal, colesterol alto, ácido úrico elevado são apenas alguns dos exemplos de problemas que favorecem o aparecimento da hipertensão. A maioria dos diabéticos sofre de hipertensão, mas nem todo hipertenso é diabético, exemplifica Tavares. O conjunto de sintomas que caracteriza o surgimento da enfermidade é o que também dificulta o diagnóstico para a cura. De 80% a 90% dos casos não tem cura. Estima-se que em apenas 5% é identificada a origem do problema. Esta porcentagem indica a hipertensão como consequência de outras enfermidades como malformações e obstruções das artérias, uso de determinados medicamentos ou tumores em certas glândulas.
A ausência de um sintoma específico dificulta saber se uma pessoa tem hipertensão. Todo mundo relaciona a dor de cabeça com a hipertensão. Isso não é verdade, avisa Tavares. A dor de cabeça ou o sangramento no nariz não significam que o indivíduo é hipertenso. Segundo Tavares, a medição da pressão arterial precisa ser frequente para indicar ao paciente a existência do problema. Quando se vai ao médico, é necessário pedir a ele que meça a pressão, ensina.
A Sociedade Brasileira de Hipertensão estima que cerca de 13 milhões de brasileiros sofram desse mal, mas apenas 2,7 milhões se tratam. Os casos aumentam com o avanço da idade, e uma pesquisa americana revelou que 60% da população idosa, acima de 75 anos, é hipertensa.
Tratamento O medicamento genérico Telmisartam bloqueia os receptores de angioticina, um hormônio que causa a diminuição do diâmetro dos vasos, provocando a hipertensão. A família desse medicamento está no mercado há 6 anos e tem mostrado resultados favoráveis, conta Frida Plavnik, nefrologista do Hospital do Rim e Hipertensão da Unifesp e coordenadora das pesquisas do remédio no Brasil. Ainda é cedo para definir resultados, mas não acredito em diferenças significativas dos obtidos até agora, ressalta.
Em relação aos outros medicamentos esse anti-hipertensivo, o Micardis do genérico Telmisartam, tem uma duração maior na redução da pressão arterial. No Brasil, o Capoten, com nome genérico Captopril, é um dos remédios mais usados no tratamento de hipertensão. Teoricamente, o Telmisartam deixa o hipertenso com a pressão mais baixa por mais tempo, lembra Tavares, que ressalta o início dos testes no País. A pesquisa busca a nossa referência de dados. Às vezes, os dados de fora não correspondem porque muda a população e o meio ambiente em que ela vive, explica.
O controle da pressão arterial é muito importante para evitar problemas maiores, e até fatais. A hipertensão pode causar acidentes cardiovasculares, como o infarto, a dor aguda no peito (angina), insuficiência cardíaca, problemas oculares e a insuficiência renal. Dados do Ministério da Saúde apontam que 85% dos pacientes que sofreram derrame têm hipertensão associada.
A Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial (MAPA), é um sistema de avaliação computadorizada que mede a pressão num período de 24 horas. Essa técnica permitiu identificar que ocorre uma elevação normal da pressão no período da manhã, entre 6h e 12h. O horário eleva a pressão porque ativa o sistema nervoso simpático, o sangue fica mais viscoso e a coagulação sanguínea é maior, esclarece Tavares. Comparações estatísticas indicaram que nesse período crítico, o aumento da pressão é um fator de alto risco para ocorrência de infarto de miocárdio e derrames. O tratamento da hipertensão pode evitar, em até 40% dos casos, as chances de derrame, alerta Frida.


