Os perigos da contaminação
A contaminação pelos metais pesados contidos na pilha não se dá apenas através do contato direto com o líquido tóxico caso o invólucro se rompa. Mas também de forma indireta, quando esse líquido se mistura ao meio ambiente, entra nas cadeias alimentares e termina acumulado nos organismos das pessoas, acarretando vários tipos de contaminação.
Isso acontece porque as pilhas, depois de utilizadas, são jogadas no lixo doméstico e vão parar em aterros sanitários ou lixões a céu aberto. Nos aterros, expostas ao sol e à chuva, as pilhas se oxidam e se rompem; os metais pesados atingem lençóis freáticos, córregos e riachos. Eles entram nas cadeias alimentares através da ingestão da água ou de produtos agrícolas irrigados com água contaminada.
Os metais que compõem as pilhas são níquel, zinco, manganês, lítio, mercúrio, chumbo, cádmio, entre outros, todos tóxicos. O cádmio é agente carcinogênico e o mercúrio pode provocar mutações genéticas, além de afetar o sistema neurológico. Usado nas pilhas alcalinas, o manganês pode causar anemia, dores abdominais, náuseas, vômitos, dores de cabeça, olhos lacrimejantes, tremor nas mãos, seborréia e perturbação emocional. Já o zinco provoca vômitos e diarréia, o lítio afeta o sistema nervoso central e o níquel pode causar dermatites, distúrbios respiratórios, gengivites, cirrose e insuficiência renal.
Não há caso documentado de contaminação pelo contato com os metais pesados contidos nas pilhas, mesmo porque isso acontece de forma progressiva. A bióloga Cristina Bonfiglioli, da Organização Não-Governamental Greenpeace, alerta para a acumulação dessas substâncias no meio ambiente. ''É como o cigarro: os efeitos aparecem a longo prazo. A nossa geração conseguiu conviver com as atuais 'doses' de metais pesados, mas, e as próximas?'' (R.V.)
Lei impõe limite de metais
pesados nas pilhas comuns
Preocupado com o descarte inadequado de resíduos tóxicos e o consequente impacto ao meio ambiente, o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), estabeleceu, através de uma resolução de 1999, a redução do limite de cádmio, mercúrio e chumbo nas pilhas comuns disponíveis no mercado a partir do começo deste ano. Entram nessa categoria as pilhas de zinco-manganês e alcalina-manganês, utilizadas em pequenos aparelhos eletrônicos e brinquedos.
Dessa forma, as pilhas comuns, segundo a resolução do Conama, podem ser colocadas no lixo doméstico, objeto de coleta pública, ao contrário das bateriais automotivas, industriais e de celular, que devem ser devolvidas, após o uso, aos estabelecimentos que as comercializam ou à rede de assistência técnica autorizada. O Conama obriga ainda as indústrias a colocarem nas embalagens símbolos que informem ao usuário se a pilha pode ser jogada no lixo comum (algumas marcas já trazem esse tipo de informação).
O técnico responsável pelo monitoramento do aterro municipal em Londrina, Elsone José Delavi, não acredita que todas as indústrias estejam respeitando as determinações do Conama quanto ao limite da quantidade de metais pesados. ''É preciso que todas as pilhas retornem aos fabricantes'', adverte. Há ainda especialistas defendendo a idéia de que, mesmo se todas as empresas respeitarem esse limite, a contaminação do meio ambiente não será evitada, pois não importa a massa de cada pilha, mas a massa total descartada, já que no Brasil o consumo (e o consequente descarte) de pilhas comuns é bem grande: cerca de 800 milhões de unidades por ano. R.V.





