Os olhos do bebê
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sexta-feira, 07 de fevereiro de 2014
Michelle Aligleri<br>Reportagem local 
Após o nascimento os bebês passam por uma bateria de exames para identificar possíveis problemas de saúde. Pezinho, coraçãozinho, orelhinha e olhinho são alguns dos testes que podem ser realizados nos recém-nascidos. O exame oftalmológico é realizado ainda na maternidade e possibilita ver se há algum obstáculo ou opacidade que impeça a entrada de luz no olho. O teste do olhinho pode identificar problemas como catarata congênita, cicatriz na córnea e até mesmo alguns tumores. A médica oftalmologista pediátrica Elaine Ferraresi, explica que caso o resultado do exame desperte alguma dúvida é recomendado procurar um médico especialista para realizar testes mais detalhados.
Os bebês prematuros precisam de cuidados especiais em relação à visão, aqueles que nascem com menos de 32 semanas ou com baixo peso devem passar por uma avaliação da retina para prevenirem as complicações de uma doença chamada retinopatia da prematuridade. "A vascularização da retina só é finalizada quando o bebê completa 38 semanas. Quando ele nasce antes disso esta vascularização incompleta pode trazer complicações visuais futuras, por isso precisa ser acompanhada adequadamente."
Apesar de existirem doenças que apresentam sintomas logo após o nascimento, a médica explica que alguns sinais não devem despertar a preocupação dos pais. "Até o quarto ou quinto mês o bebê pode apresentar estrabismo olho torto - por conta da imaturidade visual, mas esta característica não deve persistir após o sexto mês de idade", alerta. Caso isso aconteça, Elaine recomenda que os pais busquem um oftalmologista.
A Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica recomenda que os bebês passem por avaliações oftalmológicas semestrais até os três anos e anuais até os sete anos de idade. "Este cuidado deve ser tomado principalmente se houver na família pais, tios e avós que tenham qualquer alteração visual, desde erros fracionais como miopia, astigmatismo e hipermetropia até doenças mais graves como glaucoma, estrabismo, ceratocone e muitas outras", complementa a médica.
O acompanhamento com o médico especialista é justificado por conta das dificuldades de identificar alterações visuais especialmente nas crianças com até três anos de idade. "Estas crianças geralmente ficam muito tempo em ambientes pequenos como quartos e salas que às vezes possuem grandes televisões, isso pode dificultar a identificação de um problema visual, já que elas não conseguem explicar para a mãe que estão enxergando embaçado ou que apresentam alguma outra dificuldade", explica a oftalmologista pediátrica. Dores de cabeça, vermelhidão nos olhos e o ato de franzir a testa podem ser sinais de anormalidades. Cerca de 10% das crianças com menos de quatro anos necessitam de óculos. De acordo com dados recentes do Conselho Brasileiro de Oftalmologia, o número chega a 20% entre crianças até 10 anos e 30% para o grupo de adolescentes. Crianças com cerca de cinco anos que já frequentam a escola e esbarram em objetos ou chegam muito perto da televisão para assistir também devem ser examinadas.
A redução da visão em um dos olhos dificilmente é notada por pais ou professores e o problema precisa ser diagnosticado precocemente para que possam ser feitos estímulos na visão fraca. "Essa estimulação é realizada por meio da oclusão (tampão) do olho saudável, para que a criança force a outra visão, estimulando a área responsável pela formação da imagem", explica a médica oftalmologista Erika Silvino Rodrigues, do Complexo Hospitalar Edmundo Vasconcelos, em São paulo.
Apesar das visitas de bebês ao oftalmologistas serem mais comuns atualmente, muitos pais ainda aguardam a entrada do filho na escola e buscam esse profissional apenas quando a criança já está com seis anos de idade. O problema é que justamente nesta época o desenvolvimento visual da criança é encerrado, isso significa que algumas dificuldades não podem mais ser corrigidas a partir desta idade.
De acordo com a Elaine, as crianças que apresentam falta de concentração e rendimento e inquietação na escola, devem fazer uma visita ao oftalmologista para ter certeza de que a visão não está interferindo no aprendizado. Os principais problemas visuais em idade escolar são a miopia, hipermetropia e astigmatismo, conhecidos como erros de refração que podem ser corrigidos com o uso de óculos. Caso o pequeno necessite de óculos, as visitas ao oftalmologista devem ser feitas entre seis e 12 meses, seguindo sempre a orientação médica.

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