Os nós que fazem moda
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 03 de janeiro de 2003
Célia Guerra<br> Reportagem Local 
A combinação do artesanato com tecidos não é recente, mas continua como tendência no estilo folk que está na moda. Fios e mãos são as ferramentas dos trançados e amarrações feitos com técnicas como as do bordado, crochê, ou macramê que resultam em ornamentos surpreendentes em roupas e acessórios.
O destaque agora são os cintos e bolsas produzidos com o macramê a antiga arte que abusa dos nós na confecção de desenhos. Como supõe a história, o macramê surgiu nos países árabes, com os navegantes que faziam nós nas cordas dos navios para preencher o tempo durante as longas viagens pelo mar. O trabalho, então, começou a ser explorado pelas esposas e filhas que utilizavam tecidos desfiados e linhas aplicadas em panos.
Para a artesã Suely Beggiato, o macramê valoriza a roupa. ''O jeans básico ou mesmo uma simples camiseta ficam mais charmosos com o uso do acessório'', observa. Apesar do caráter casual, é possível dar mais sofisticação ao trabalho através da combinação de linhas e complementos disponíveis no mercado. Para ela, ''detalhes em pedrarias, murano, resina, bambu e madeira concedem elegância às peças''.
Suely explica que o macramê exige paciência e atenção, mesmo assim é uma técnica fácil e não precisa de grandes espaços para a sua execução. ''Para mim, basta uma mesinha e a minha almofada de areia (onde fixa as peças que está executando)'', diz. Segundo ela, são três tipos básicos de nós que compõem os desenhos: o nó duplo, o festonê e o nó de gravata. ''É a criatividade do artesão no arranjo desses nós e as suas variações que determinam o padrão, o visual do trabalho'', define.
O macramê, além do caráter artesanal, é uma excelente terapia auxilia na coordenação motora porque exige muito o uso das mãos e especialmente dos dedos. Ele tem ainda uma função social, como proposta de geração de recursos em comunidades carentes (veja matéria nesta página).
Suely conta que existe uma grande variedade de coisas que podem ser feitas com o macramê, como barrados em toalhas, panos de prato, xales, barras de calças, blusas, cortinas, suportes de vasos. Para quem quer se iniciar na arte, a recomendação é treino constante, empenho e paciência. Quem não conhece a técnica deve fazer um curso para aprender as noções básicas, como dividir os fios corretamente, aprender a fazer os nós, calcular o tamanho dos fios. Depois, como aconselha Suely Beggiato: ''basta dar 'asas' à imaginação''.
Suely se disponibiliza a ensinar a técnica (fone 43 3326-1476). A Tricolândia também oferece diariamente cursos individuais de macramê, condicionados à compra do material na loja. Horários disponíveis: manhã de 3 a 6 feira, das 9 às 11 horas; tarde de 2 à 6 das 13 às 15 horas e das 15 às 17 horas (fone 43 3323-3197). n


