Quando entra no curso de medicina, o estudante sabe que anos de muito estudo e noites maldormidas o esperam. Já tinha sido assim para passar no concorrido vestibular e vai continuar assim nos seis anos da graduação e outros tantos da residência. Nem mesmo a formatura e o título de especialista encerram a jornada corrida. É plantão que não acaba mais, passagens por consultórios, hospitais... Agenda lotada e pouco tempo de folga.
Quem não desiste ao vislumbrar uma vida assim sabe que nem tudo é só trabalho e entrega aos livros. Para a turma 55 da Universidade Estadual de Londrina (UEL), os três anos de curso trouxeram uma noção especial da carreira que vão seguir. Christine Lanssoni, da comissão de eventos da turma, diz que todos os colegas fazem ginástica ou têm outra atividade. ''É um curso estressante e a gente tem esse contato de vida e morte com muita cobrança. Por isso tem que ter a hora do lazer'', ensina Christine.
A tal turma 55 foi responsável na semana passada por uma festa de grandes proporções, a Oktobermed. Para divulgar o evento, apostaram no boca-a-boca dos mais de 70 alunos (a turma toda tem 80 futuros médicos, mas só 72 fazem parte da 'associação' que participará das festas de formatura daqui três anos) e também na simpatia do ''Véio Heber'', um boneco de madeira de 2 metros de altura confeccionado por eles mesmos. ''O nome é uma homenagem a um professor nosso'', entrega Christine.
Com o objetivo de ter uma festa inesquecível de formatura, os alunos da 55 se preparam desde o primeiro ano. Além do pagamento de mensalidades (que vão para uma poupança coletiva), eles também emprestam o nome para festas concorridas duas ou três por ano para mais de mil pessoas, ganhando porcentagem na venda dos convites, e ainda fazem rifas. ''Já temos uns 40% dos R$ 200 mil que vamos gastar na formatura'', conta Christine Lanssoni.
Em número reduzido, as 25 mulheres resolveram criar o CMM55, Clube das Mulheres de Medicina da Turma 55. Reuniões são marcadas no estilo clube da luluzinha com direito a longas horas de conversa e diversão. ''Foi um jeito da gente se unir'', explica a futura médica. Os homens, por sua vez, também têm a sua Liga do Álcool, com estatuto e muita organização. Apesar dos dois clubinhos, a turma avisa que é bem unida. Só não chegaram a um acordo pra saber quem nasceu primeiro, se foi o CMM55 ou a Liga.
Em plenos anos rígidos do AI5, a terceira turma de medicina da UEL tinha um certo medo de fazer grandes festas e por conta disso optavam por pequenos grupos para churrascos e reuniões. Mas nem o tal Ato Institucional esfriou a integração dos médicos. No mês que vem, a primeira turma a frequentar o campus (''Perobal''), irá comemorar 30 anos de formatura. Para a ocasião especial, os ex-alunos estão se organizando para passar quatro dias num resort no interior de São Paulo.
Quem comanda os preparativos é a pediatra Hilda Vasconcellos Sella, que já tem confirmados cerca de 25 nomes de ex-colegas. ''A maioria é de Londrina, mas mesmo morando aqui, a gente acaba não se encontrando muito por causa das agendas'', lembra Hilda. ''Nós nos reunimos a cada cinco anos'', completa. Para o grande encontro de novembro, alguns médicos também vão levar os filhos para que a confraternização seja total.
Integração festeira entre os médicos também é o objetivo número um das celebrações de aniversários da Associação Médica de Londrina (AML). A cada dois meses, aniversariantes associados se reúnem para um parabéns coletivo. ''Era mensal, mas aí tínhamos sempre as mesmas pessoas. A cada dois meses, o número aumenta e a confraternização é maior'', explica Heber Vargas, diretor social da AML. Além de comemorar os aniversários, as festas da Associação também servem como show de talentos. Bandas formadas por médicos ou filhos de médicos sempre se apresentam nas noites de festa, que também contam com exposições de pintura dos associados. No final do mês, uma nova reunião de virginianos, librianos e escorpianos promete animar a turma de branco. q

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