Países como Itália, Espanha e França, principais berços de arte, moda e cultura, são paradas disputadíssimas de estudantes do mundo inteiro. E quem deseja embarcar em uma viagem de estudos rumo a esses países, com apenas o inglês na bagagem, deve tomar cuidado. Estudantes avisam que não basta contar com a sorte ou com o famoso "embromention", o ideal é estar por dentro do idioma local para evitar contratempos.
A londrinense Andréa Jabur Ferraz, de 24 anos, passou alguns sufocos na Itália por não saber falar muito bem o idioma. A garota escolheu a cidade de Florença para fazer pós-graduação em buyer - profissional responsável em garimpar as melhores roupas ou matérias- primas que serão vendidas às lojas multimarcas ou utilizadas pelas grifes para confeccionar suas coleções.
Segundo ela, os primeiros nove meses do curso - ministrados por experts no assunto, entre eles a caçadora de tendências da Gucci e a compradora da Ferragamo – o inglês foi o suficiente para acompanhar as aulas, os problemas surgiram no dia a dia. "Sem saber o italiano, você é mal recebido por quase todo mundo", afirma.
Além disso, Andréa conta que a falta de fluência na língua impede a maioria dos estudantes em ingressar em um estágio, por exemplo. "Falando o básico, sofri muito para encontrar um lugar para estagiar, e, quando encontrei, o desafio foi me comunicar," lembra a estudante, que recebeu apoio das pessoas com as quais trabalhava. "Eles me ajudaram muito", confessa.
Da viagem, Andrea não trouxe apenas a experiências em diversas áreas de sua profissão, mas também o idioma italiano na ponta da língua. Porém, a jovem aconselha. "Vá sabendo o suficiente para se sentir segura e para aproveitar melhor a viagem, pois não dá para contar com a sorte ou com a boa vontade das pessoas", alerta.

Idioma na ponta da língua
Mesmo falando espanhol, o diretor criativo da marca de bolsas Madre Cortes, Guilherme Andrade, de Londrina, está se preparando antes de viajar a Barcelona, na Espanha, onde pretende fazer um curso de design de calçados. "Estou aprendendo o espanhol falado na Espanha, diferente, por exemplo, do idioma falado pelos argentinos", revela.
Além disso, Andrade, decidido em trazer na bagagem muitas referências do país europeu para criar suas próximas coleções, fazendo pesquisas dentro do seu universo fashion. "Já adquiriu inúmeras Vogue Espanha para estar por dentro dos termos de moda e tudo o que acontece naquele país", afirma.
Segundo ele, é imprescindível conhecer a cultura e o idioma do país a ser visitado. "Saber o mínimo ou demonstrar interesse em aprender, é até uma questão de educação e respeito", comenta.

Conselho de quem sabe
A França é outro país requisitadíssimo para se especializar em moda. Conhecido pelo seu nacionalismo exarcebado, com os franceses não tem ‘jeitinho’. "A exigência da língua é tamanha, que existe até uma campanha para que os franceses tratem melhor os turistas", afirma a professora de francês da Wizard, Mayra Zemuner.
Para ela, que vai à França conhecendo o idioma tem muitas vantagens, além de conhecer os melhores lugares para visitar, estudar e fazer amigos.

Imagem ilustrativa da imagem Os idiomas da moda
Guilherme Andrade prepara o espanhol para estudar em Barcelona
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Apesar do sufoco inicial com a língua italiana, Andréa Jabur Ferraz trouxe muitas experiências profissionais e o idioma na ponta da língua