Os homens no espelho
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 23 de agosto de 2007
Cecília Nascimento<br> Agência Estado 
Recuperar a auto-estima depois do divórcio, melhorar a imagem profissional, resgatar a vida social depois da aposentadoria, encontrar uma companheira para preencher a viuvez, oxigenar o casamento de 20 anos ou partir para outro com uma garota de 20. Especialistas em vaidade apontam várias razões que levam homens entre 30 e 80 anos a recorrer a recursos para melhorar a imagem, como cirurgia plástica, lipoaspiração e implante de cabelos.
De acordo com dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), em 2004 foram realizadas 616.287 cirurgias no País, sendo 69% em mulheres e 31% em homens. ''Na década de 80, quando a cirurgia plástica ganhou força no Brasil, os homens ainda estavam acomodados e esse recurso era uma escolha feminina. Os tempos mudaram e agora pelo menos 10% dos clientes em clínicas do País são homens'', aponta o cirurgião plástico Robert Jan Bloch, 63 anos, sendo 34 deles dedicados à atividade.
Em sua clínica, no bairro do Paraíso, na zona sul de São Paulo, ele viu crescer de 10% para 35% a procura de cirurgias por parte dos homens na última década. Ele relata que, nos anos 80, as mulheres eram 99,5% da clientela e batiam na porta de seu consultório em busca de soluções mágicas para manter o casamento. ''Elas se sentiam ameaçadas pelas mulheres mais jovens e achavam que a solução estava em uma plástica no rosto ou no corpo''.
A mentalidade ainda existe, segundo o médico, mas o perfil mudou. ''A partir da década de 90, as brasileiras ganharam poder no mercado de trabalho, o divórcio se tornou mais comum e elas passaram a ver a cirurgia com recurso para se sentirem melhores em relação ao próprio corpo, e não ao companheiro'', afirma.
A mudança de atitude provocou uma reação nos homens, que passaram a se sentir ameaçados, não estavam mais acomodados, tanto no trabalho como na vida afetiva. ''Eles saíram da zona de conforto um tanto machista e passaram a se cuidar, por pressão das próprias mulheres - companheiras, filhas ou colegas de trabalho que passaram a disputar espaço com os homens'', acredita o cirurgião Egídio Martorano Filho, ex-aluno de Ivo Pitanguy, referência mundial na área. ''Na última década, as exigências cada vez maiores de jovialidade no mercado de trabalho, a aceitação social de vários casamentos e o aumento da expectativa de vida dos brasileiros pediram uma nova postura do homem, que passou a ver na cirurgia um recurso para se sentir melhor no mundo''.
Martorano Filho atende em sua clínica em Florianópolis (SC) homens e mulheres de 18 a 65 anos, muitos deles estrangeiros do Mercosul, americanos e europeus, atraídos pela fama da cirurgia plástica brasileira mundo afora em função de Pitanguy, pelo baixo custo em relação à Europa e Estados Unidos e pela discrição. ''A distância possibilita que homens públicos, como artistas, grandes empresários e políticos mantenham o anonimato durante a recuperação da cirurgia, que varia de acordo com a intervenção''.
Mas o recurso não atrai apenas celebridades. É o caso do publicitário Márcio Gazaniga, de 45 anos. Estimulado pela namorada enfermeira e pela filha dela, adolescente de 14 anos, ele resolveu se submeter a uma cirurgia para retirada do excesso de pele nas pálpebras e em embaixo do queixo, a chamada ''papada''. Foram oito meses de negociação com o médico, até que, recentemente, se rendeu à cirurgia e já sente os primeiros resultados. ''Ao me olhar no espelho, me sinto mais jovem, vale a pena passar pelo bisturi''.
Cuidados essenciais- Bons resultados observados em amigos ou parentes não devem ser suficientes para convencer homens a fazer uma intervenção. Médicos da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) alertam que duas atitudes são fundamentais antes de qualquer decisão - uma avaliação psicológica do paciente e a certeza de que o profissional escolhido pertence à entidade. A filiação do profissional pode ser confirmada no site da SBCP.
''A cirurgia é apenas uma ferramenta para o homem se sentir melhor, com a auto-estima no lugar, mas é importante saber que ela não é milagrosa. Se a pessoa está com problemas de relacionamento afetivo ou problemas profissionais, deve também procurar ajuda de um psiquiatra ou psicólogo'', reforça Jan Bloch. ''É comum homens acharem que, com aparência jovial, problemas mais profundos, como carência afetiva, dificuldades profissionais, desentendimentos com a família vão desaparecer. É um auto-engano'', afirma Martorano Filho. ''O ser humano é um todo e o cuidado com a estética é só uma peça nesse complexo quebra-cabeça que é existir''.
Cuidados mais comuns em relação à aparência
Entre 20 e 30 anos - Nessa época, o homem ainda está se firmando profissional e emocionalmente. A cirurgia plástica do nariz, buscando suavizar os traços faciais, é o procedimento mais realizado, ao lado da lipoaspiração da região abdominal e cintura.
Entre 30 e 45 anos - Vincos nasolabiais (bigode chinês), rugas na região dos olhos e da testa, calvície e gordura localizada são as principais queixas dessa faixa etária. Nessa fase, o homem costuma ficar inseguro em relação a fazer a cirurgia, pois prioriza despesas com o trabalho e a família. Muitas vezes, toma a iniciativa em função de um evento externo, que pode ser a difícil recolocação no mercado de trabalho, um divórcio, ou ainda a percepção de que sua companheira está cada vez mais jovem e ele cada vez mais envelhecido.
Entre 60 e 80 anos - É a melhor fase para optar por um facelift ou um thread lift (levantamento do rosto e retirada das bolsas embaixo dos olhos, respectivamente) a fim de levantar a expressão. É um período em que homem tende a cuidar mais da saúde, tem mais recursos para curtir a melhor idade e decide investir em cirurgia plástica.
Serviço: Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica- www.cirurgiaplastica.org.br
Cuidados mais comuns em relação à aparência
Entre 20 e 30 anos - Nessa época, o homem ainda está se firmando profissional e emocionalmente. A cirurgia plástica do nariz, buscando suavizar os traços faciais, é o procedimento mais realizado, ao lado da lipoaspiração da região abdominal e cintura.
Entre 30 e 45 anos - Vincos nasolabiais (bigode chinês), rugas na região dos olhos e da testa, calvície e gordura localizada são as principais queixas dessa faixa etária. Nessa fase, o homem costuma ficar inseguro em relação a fazer a cirurgia, pois prioriza despesas com o trabalho e a família. Muitas vezes, toma a iniciativa em função de um evento externo, que pode ser a difícil recolocação no mercado de trabalho, um divórcio, ou ainda a percepção de que sua companheira está cada vez mais jovem e ele cada vez mais envelhecido.
Entre 60 e 80 anos - É a melhor fase para optar por um facelift ou um thread lift (levantamento do rosto e retirada das bolsas embaixo dos olhos, respectivamente) a fim de levantar a expressão. É um período em que homem tende a cuidar mais da saúde, tem mais recursos para curtir a melhor idade e decide investir em cirurgia plástica.
Serviço: Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica- www.cirurgiaplastica.org.br


