Os dois lados da história

Arquivo FolhaSegundo o cirurgião plástico Manoel Calland, ainda não se conseguiu provar que o rompimento da cápsula de silicone faz algum mal à saúdeComparando o custo/benefício depois de se submeter à cirurgia, a mulher se sente recompensada. Esta é a opinião do cirurgião plástico Manoel Calland, que destaca o aumento da auto-estima como principal consequência da colocação da prótese. ‘‘Quando o cirurgião e a paciente conversam bastante antes e chegam a um acordo sobre o tamanho ideal, a cirurgia é sempre satisfatória. E os resultados, praticamente imediatos’’. Segundo ele, a recuperação é muito rápida. Depois de 10 ou 15 dias, a paciente já pode dirigir.
Foi exatamente o que aconteceu com Fátima, 39 anos, que fez a cirurgia há sete anos. ‘‘Foi um sucesso. Só me lembro de que tenho a prótese quando alguém toca no assunto. Já faz parte do meu corpo. A cicatriz quase não aparece e a sensibilidade não se alterou’’, relata. Ela resolveu colocar o silicone porque sempre teve os seios pequenos e, depois de amamentar os dois filhos, as mamas ficaram flácidas. Fátima destaca os pequenos prazeres que o novo corpo proporciona.‘‘Comprar sutiã rendado e admirar o colo é uma delícia. Acho que quando a pessoa tem algo que incomoda tem mesmo que corrigir. Levanta o ego’’, salienta.
Mas nem todas as mulheres que se submeteram à cirurgia tiveram a sorte de Fátima. Rosana, 34 anos, ainda não pôde curtir os resultados do silicone implantado há dois anos, em decorrência de várias complicações.
Ela conta que fez uma cirurgia para tirar alguns nódulos dos seios e aproveitou para colocar a prótese de silicone. ‘‘A partir do momento em que foi colocada, eu senti que um lado ia ficar maior que o outro, mas o médico disse que as duas mamas tinham respostas diferentes e que isso se normalizaria. Eu tinha uma dor muito forte no braço. Era como se um seio fosse 42 e o outro 52’’, lembra.
Na verdade, Rosana havia tido uma contratura capsular, que acabou descolocando a prótese e desgastando o tecido mamário. Depois de oito meses, nova cirurgia para trocar as próteses. ‘‘Dessa vez, ficaram perfeitas, mas como eu já havia tido infecção e o médico não me deu nenhum antibiótico, apareceu uma sístola mamária, um buraquinho que não cicatriza. Dá uma certa insegurança, porque o lugar fica drenando líquidos que podem manchar a roupa’’, conta.
Rosana já fez várias microcirurgias, mas ainda não se livrou do problema. Trocou de médico e se prepara para entrar no centro cirúrgico mais uma vez, mas antes terá que parar de fumar para garantir a cicatrização. Segundo o novo cirurgião, não será preciso tirar a prótese. Com todos esses percalços, Rosana não se arrepende de ter colocado silicone. ‘‘Eu faria de novo. Sei que no meu caso o problema foi negligência médica. Mas é importante as pessoas saberem que uma cirurgia envolve muito mais riscos do que se imagina’’, avisa.
(R.V)
* O nome das mulheres entrevistadas é fictício

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