Os caminhos para o amor
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 03 de junho de 2010
Micaela Orikasa<br>Reportagem Local 
Encontrar a cara-metade e ter a certeza de ter alcançado a felicidade plena. Se para nos sentirmos completos é preciso encontrar um verdadeiro amor, como este sentimento também pode ser fonte de tanto sofrimento? Como manter um relacionamento duradouro e saudável, numa época em que a paixão fulminante ocupa o espaço do amor eterno?
São tantas questões para corações apertados, que a psicóloga Devanira Domingues Demarque, especialista em família, casal e sexualidade humana, cedeu um espaço em seu divã e deu resposta a algumas dúvidas do coração e até apontou o caminho da felicidade.
Porém, é preciso entender porque as relações afetivas hoje estão cada vez mais efêmeras. Segundo a especialista, as transformações no cotidiano, os valores modernos e o contexto familiar são os principais influenciadores na vida sentimental da nova geração.
O jovem que tem um bom relacionamento familiar, com abertura para falar de suas emoções e bons exemplos dentro de casa, está muito mais tranquilo em relação à maneira de viver suas relações de amor, mas isso não quer dizer que ele não viva suas paixões mais fulminantes e passageiras, diz ao se referir à faixa etária dos 13 aos 19 anos.
Devanira ainda cita que a forma de se relacionar também passou por mudanças, como por exemplo, o ficar antes de namorar. Parece que, entre eles, chegar e namorar é meio fora do contexto. Primeiro fica, depois namora, pois o ficar é uma passagem. Somente na hora de encontrar alguém que o toque profundamente é que ele(a) irá aumentar a frequência, resultando em um namoro de forma natural, completa.
Medo de errar
Depois de refletir sobre essa nova maneira de se relacionar, muitos se perguntam porque a relação pode trazer tanto sofrimento? Para a especialista, existem inúmeras respostas, mas o medo e a insegurança são os sentimentos que mais afetam a maioria.
Ela explica que quando uma relação fica traumática, seja no término ou no andamento dela e, até mesmo quando um parceiro lutou muito para permanecer nela, a lembrança dessa dor continua, mesmo ao pensar em iniciar outro relacionamento.
Quando a pessoa começa a compreender que cada indivíduo é um universo diferente do outro, ela não só dá oportunidade para o outro, mas para ela mesma viver um novo amor, enfatiza.
Porém, em toda sua experiência, Devanira percebe que, às vezes, não é o medo ou o trauma de repetir esse padrão de comportamento, mas de perder a liberdade de estar mais com os amigos para ficar com o namorado(a).
Então, muitos perguntam, qual é o problema em ficar? É porque o ficar não se limita em pegar nas mãos, abraçar e beijar. Hoje, muitos acabam indo para cama sem pensar nos riscos, aponta.
O imperdoável
E mesmo que as mudanças tenham ditado novas formas de se relacionar afetivamente, a traição ainda é difícil de perdoar. O perdão nem sempre é imediato. Mas ele acontece, até porque, em determinadas situações, a pessoa perdoa para ter o parceiro(a) de volta. Porém, o potencial de sofrimento é maior porque ela sabe que foi traída e vai carregar essa marca de dor, insegurança e medo de que isso se repita, observa Devanira.
O problema de conviver com a dor é que a própria relação de amor acaba sendo confundida com posse. Por isso, é preciso ter consciência que o relacionamento rompido foi em função do que estava ruim. É claro que numa separação sempre existirá um parceiro que gostaria de dar continuidade, que sofrerá mais, mas não se deve carregar o sentimento de ineficiência e de falha por não ter conseguido segurar a relação.
Felizes para sempre
Que é sofrido é, mas a psicóloga afirma que é possível, sim, ter uma relacionamento saudável e duradouro. E isso, segundo ela, está dentro de cada um. Ela diz que a vida é de dentro para fora e, portanto, se uma pessoa está segura com seu sentimento durante e até no rompimento de uma relação, irá sofrer, mas terá consciência de que não durou porque não daria certo mesmo e, mais tarde, a dor que sente poderia ser bem maior.
Devanira garante que nem todos tem essa segurança e, muitas vezes, é preciso desenvolvê-la. Se isso não aconteceu dentro do contexto familiar, terá de ser trabalhado terapeuticamente para não vivenciar todo esses conflitos.
É claro que não existe uma receitinha pronta, mas vale manter o pensamento positivo e lembrar sempre que o namoro não é só peso e medida perfeitos. Num primeiro momento, a pessoa é atraída pelo que vê, mas se ficar só nisso, a relação será passageira. O importante é saber que o sentimento é que vai fazer durar. É o que fará do ficar, um namoro, um noivado e enfim, um casamento, afirma.
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