O jornalista e professor universitário Edenilson de Almeida, 32 anos, mora sozinho há 11 e virou uma espécie de consultor para assuntos domésticos entre seus amigos. Não é para menos. Durante os três primeiros anos, ele fez a tal dupla jornada de trabalho tão conhecida das mulheres. ''Lavava, passava e fazia comida, não tinha condições de pagar empregada'', relata. A experiência, somada a um aguçado senso de organização herança da sua educação e do trabalho no banco, ''onde tudo é muito sistematizado'' trouxe um enorme know-how. A ponto de ele ter preparado um manual de primeiros socorros para os solteiros de primeira viagem.
''Me descobri um bom administrador da casa quando meus amigos foram morar sozinhos e começaram a me pedir dicas'', conta. Segundo ele, o mais difícil, no começo da vida a sós, é a noção de que tudo, dentro de casa, depende exclusivamente de você: pagar as contas, trocar a lâmpada, ir ao supermercado. As lições foram sendo aprendidas aos poucos. ''Eu não tinha o hábito de olhar o prazo de validade dos produtos'', lembra.
Entre as recomendações no seu manual, constam itens como ir ao supermercado quando se está com fome para evitar gastos desnecessários, dar a cópia da chave do apartamento para alguém da sua confiança e manter um bom relacionamento com os vizinhos. ''Você pode precisar deles'', avisa. Edenilson reforça ainda a importância de fazer todas as refeições. ''Por preguiça de cozinhar, as pessoas acabam comendo muita porcaria e tendo problemas de saúde'', diz.
O relacionamento com a empregada é um capítulo à parte. ''Existe a tendência de ela querer cuidar, ser mãe da gente. Quando a minha faxineira começou a trabalhar comigo, eu tinha 23 anos. Acho que ela quis me adotar'', lembra. Um dos problemas foi a mania de dar um toque feminino ao ambiente. ''Eu queria o vaso num lugar, ela colocava em outro. Mas fui impondo limites, como toda relação precisa ter'', ensina.
A correria do dia-a-dia ele sempre teve dois empregos acabou fazendo com que, em algumas épocas, Edenilson nem visse a empregada, que vai uma vez por semana. ''Cheguei a passar três meses sem cruzar com ela'', diz. Mas isso não atrapalhou a rotina doméstica, já que as tarefas são previamente programadas. ''A geladeira tem que ser limpa por dentro a cada 15 dias, assim como os vidros e o teto. Os frisos do azulejo devem ser lavados sempre para não juntar bolor. As calças escuras precisam ser passadas do avesso ou com um protetor para não manchar, e as camisas, penduradas com o último botão fechado e organizadas por tamanho de manga'', detalha. Apesar de minucioso, ele não se considera neurótico com organização. ''Acho que ela deve existir para tornar as coisas práticas''.
Outro cuidado que deve ser tomado pelos menos desavisados, segundo o jornalista, é a compra dos produtos de limpeza. ''Não se tem noção de como eles são caros. E a empregada geralmente quer tudo que facilite a vida dela. É bom não comprar tudo o que a faxineira pede e ficar de olho no consumo. No começo, percebi que ela gastava muito sabão em pó. Passei a racionar, ela acabou se adequando e não perdeu em qualidade'', garante. Atenção com o banheiro: o ideal é não deixar a limpeza apenas na mão da empregada. ''Se não limpar todo dia, vira banheiro de rodoviária'', avisa Edenilson.
Para ele, responsabilidade, autoconhecimento e, sobretudo, independência, são os maiores trunfos de quem passa pela experiência de morar sozinho. Tanto que um de seus maiores medos é de, no futuro, ficar inválido e depender de alguém para viver. ''Por isso, faço ginástica, cuido da alimentação, vou ao cardiologista regularmente. Fiquei mais precavido''. n

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