Ordem na casa
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quinta-feira, 21 de março de 2002
Rosângela Vale 
Que Londrina é um celeiro de beldades tipo exportação não é nenhuma novidade. Fabiana Semprebom, Michele Alves, André Vitor e Alex Francisquini são alguns exemplos de como a cidade é pródiga na área. Mas, se por um lado sobra matéria-prima, por outro falta profissionalismo ao mercado. Ou seja, quem deseja se preparar adequadamente para a carreira de modelo tem que procurar centros maiores.
O booker paulista Daniel Zara, 27 anos, desembarcou na cidade com o intuito de mudar essa realidade. Há nove anos trabalhando com modelos foi olheiro e, durante o último ano, booker da agência Ford em São Paulo ele é o novo integrante do staff Desirée Soares e, entre suas funções, está a de preparar garotos e garotas para as exigências do mercado.
Uma das razões para a sua decisão de ficar na cidade foi a constatação do potencial que existe por aqui. Tem modelos maravilhosas. E muitas das que passaram pelo Studio Desirée já estão trabalhando fora do país, sem que a agência ganhe nada, pois não havia um booker para fazer contratos, observa, esclarecendo mais uma de suas funções. Daniel explica que, inicialmente, vai trabalhar apenas com o lado fashion da agência. Isso significa selecionar modelos magras (90 cm de cintura, 60 cm de quadris), altas (mais de 1.73m) e fashion, com uma beleza exótica, define.
Quem passar pelo crivo de Daniel e fechar contrato com o Studio vai ter que ser fiel. Nada de deixar fotos em todas as agências da cidade, prática comum por aqui. O modelo que ficar comigo vai ter que trabalhar só para mim, avisa o booker. Depois, começa a segunda parte do trabalho: dar um trato geral no visual. Vou cuidar da menina dos pés à cabeça, no sentido de ela estar sempre em dia tanto física quanto psicologicamente. Se eu disser para pintar o cabelo de roxo, não tem que questionar. Vou ser uma espécie de segunda mãe: tudo que eu falar é para o bem da filha, compara.
Como nas grandes agências, as meninas contratadas terão acompanhamento de nutricionista, academia de ginástica e toda a parafernália necessária para atingirem as medidas padrão. Para Daniel, essa não é a parte mais difícil do trabalho. O maior problema vai ser a correção de alguns vícios. Todas querem desfilar como Gisele Bundchen, observa ele, que vai ministrar workshops regulares para meninos e meninas que ele julgar terem chances reais de sucesso na carreira.


