Quem nunca ouviu falar do menino de madeira, cujo nariz cresce quando ele mente? A história de Pinóquio é muito antiga. Foi criada em 1881, pelo escritor Mario Collodi; em 1939, Walt Disney transformou-a em desenho animado.
Na história, o boneco criado pelo artesão Gepeto sonha em ser um menino de verdade, porém, para isso sabe que não deverá mentir. Essa é uma exigência da Fada Azul, que joga sobre ele um encantamento: toda vez que Pinóquio mentir, seu nariz crescerá e todos saberão que ele não está falando a verdade. O Grilo Falante, nomeado pela Fada Madri­nha como seu conselheiro, ajuda o garoto durante a aventura repleta de perigos. Ele se transforma numa espécie de consciência.
Esta história virou um ícone para crianças, jovens e adultos e mexe com o inconsciente das pessoas. Ela atravessou gerações e seu personagem principal tornou-se o símbolo ou a personificação da mentira.
De acordo com a psicóloga e psicopedagoga Maria do Carmo Arrebola, é impossível delimitar uma idade em que seja "mais comum" as crianças mentirem, já que isso é consequência de diversos fatores. Porém, teoricamente, a partir dos sete anos, o pequeno já consegue distinguir o mundo real do imaginário, portanto, tem consciência de que está fazendo algo errado quando não fala a verdade. "As crianças, principalmente as mais novas, fantasiam muito, e isso é ótimo para elas, afinal, desenvolvem sua criatividade. Elas criam um mundo novo e acreditam que aquilo é verdade. Cabe aos pais ser mediadores dessa situação. Não fazer do mundo da criança só fantasia e nem trazê-la totalmente para a realidade", diz.
Maria do Carmo afirma também que mentirinhas aceitáveis como "estou com dor de barriga, não posso ir para a escola", "foi o fulano quem pegou, não eu", "eu não fiz nada disso", não são, na realidade, tão inofensivas quanto parecem. "Não é motivo para bronca ou castigo, mas vale uma conversa franca com a criança, explicando que aquilo não está certo. O que não pode é deixar quieto e achar que essa fase irá passar, pois ela pode piorar".
As principais causas desse tipo de comportamento infantil são, segundo a psicóloga, o contexto social em que ela vive e o medo de enfrentar uma família muito rígida ou uma professora brava, por exemplo. "A criança segue muito o modelo dos pais. Um exemplo muito claro é quando ligam em casa e alguém da família diz: "Diga que eu não estou". Essa simples situação, comum a todos nós, pode influenciar a criança a mentir. Ela aprende que aquilo é normal, então passa a reproduzir", afirma, e completa: "Quanto mais ética for a família, mais facilmente a criança será educada. E aprende que para respeitar e ser respeitada, é bom não mentir".

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