Há 12 anos, um grupo se encarrega de tirar animais abandonados das ruas de Londrina. São cerca de 200 pessoas que – motivadas apenas pelo amor aos bichos – contribuem para que a ONG ‘‘SOS Animal’’ continue existindo na cidade, apesar de inúmeras dificuldades. Somente 10 voluntários saem efetivamente – com os próprios carros – para recolher cachorros e gatos. O restante ajuda de diversas formas: doando rações e medicamentos, cuidando dos animais na própria casa – há quem abrigue mais de 100 bichos no quintal – e, no caso de alguns veterinários, atendendo gratuitamente.
A começar pela falta de uma sede, os problemas enfrentados pelo grupo são numerosos. Mas talvez o maior deles seja a falta de colaboração da população. ‘‘Dos 500 mil habitantes da cidade, por que só 200 ajudam?, questiona o presidente da entidade, Luís Evaldo da Silva Ferreira, que já não divulga mais o telefone do ‘‘SOS Animal’’, pois o trabalho dobra e não há como atender todos os casos. ‘‘A comunidade acha que somos obrigados a abrigar até cachorro que tem dono. E há quem faça ameaças do tipo: se não vierem buscar, vou jogar na rua’’, conta, indignado.
Segundo ele, tem muito poodle e rusk siberiano abandonado por aí. ‘‘Principalmente quando estão velhos, época em que mais precisam dos donos’’, observa. Ferreira calcula que, se recolhessem todos os animais das ruas de Londrina durante 30 dias, teriam que dar abrigo para mais de dois mil bichos. O problema é que os voluntários que mantêm os animais em casa têm enfrentado a ira dos vizinhos, que já registraram inúmeras reclamações na Vigilância Sanitária e na AMA.
O ‘‘SOS Animal’’ ganhou um terreno da prefeitura, mas como o local não é adequado para a construção de um canil, o grupo aguarda a troca por um terreno na área rural ou agroindustrial para poder regularizar o atendimento à população. Enquanto isso, Ferreira trabalha para transformar a ONG em OSIPE e, dessa forma, conseguir recursos internacionais. Outra iniciativa é a parceria com alunos de veterinária, que estão preparando apostilas para distribuir em escolas e ensinar sobre a importância da castração.
Para se ter uma idéia da necessidade do controle de natalidade a fim de diminuir a quantidade de animais abandonados nas ruas, a voluntária Lígia Rute Koski faz algumas contas. Ela informa que se uma fêmea cruzar em todos os cios, durante dois anos, terá 555 descendentes. Já uma gata, em cinco anos, terá 22 mil descendentes. Por isso, é praxe da entidade castrar todas as fêmeas que recolhe.
Entre as atividades do ‘‘SOS Animal’’ está ainda a doação de bichos por meio de anúncios em jornais e rádios e o atendimento de denúncias de maus tratos. ‘‘Existe uma legislação que nos dá todo amparo para abrir uma ação criminal contra pessoas que maltratam os animais’’, diz Ferreira. (R.V.)

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