Olhos fechados, mente aberta
Celso Mattos
Usada desde o Egito Antigo para tratamento de doenças, a hipnose ainda é um tema que gera controvérsia. Existem aqueles que desconfiam que o estado hipnótico não passa de uma teatralização, enquanto outros depositam nela novas possibilidades de decifrar os mistérios do cérebro. A verdade é que os estudos sobre a hipnose vêm se intensificando em todo o mundo, mostrando que ela pode ser uma aliada importante no tratamento de muitas doenças físicas e psicológicas.
Um dos motivos que leva as pessoas a torcerem o nariz para a hipnose é o seu mau uso por pessoas não qualificadas. Associada a números de circo e a charlatanismo, ela passou a ser vista como espetáculo e não como ciência. O que poucos sabem é que por lei, a hipnose só pode ser exercida por profissionais com formação em medicina, odontologia, psicologia, fonoaudiologia, fisioterapia e enfermagem. O cirurgião-dentista Jurandyr Alvino da Silva Júnior, é um dos que usam a hipnose em pacientes que só conseguem sentar na cadeira do dentista quando estão hipnotizados.
Diretor da Divisão Odontológica da Sociedade de Hipnologia de Londrina, ele ressalta que a hipnose é consensual. Todo mundo pode ser hipnotizado. Mas ninguém entra em estado hipnótico contra a vontade. De acordo com dados do Jornal Dental Americano, uma pesquisa realizada nos Estados Unidos mostrou que 70% das pessoas têm medo de ir ao dentista, sendo que 20% têm pavor. Apenas 10% responderam que não tinham medo.No Brasil, esses números são ainda maiores, o que leva muitas pessoas a não tratar dos dentes, contabiliza Jurandyr Alvino.
Ele ressalta que a hipnose não é usada na odontologia apenas em pacientes medrosos. Existem aqueles que sofrem de diabetes e não podem tomar anestesia. Nesse caso, o método mais viável é a hipnose. Mas existem outras situações em que sua aplicação é recomendada no tratamento de fobias, traumas, doenças como vitiligo e stress
Auto-hipnose Jurandy Alvino afirma que, cientificamente, não existe nada comprovando que através da hiponse a pessoa possa ter visões de vidas passadas. A remorização só possível até à vida uterina. Segundo ele, existem muitas fantasias sobre a hipnose que não correspondem à verdade. Uma delas é que a pessoa hipnotizada faz tudo o que o hipnotizador quiser. A negativa no ser humano é tão forte que ele é capaz de sair do estado hipnótico se for induzido a fazer o que não deseja. Portanto, dizer que o hipnotizador pode fazer alguém assinar um cheque ou um documento não tem fundamento, diz ele.
O cirurgião-dentista comenta que todo mundo já passou por um processo hipnótico natural e momentâneo. O mais comum é quando estamos assistindo a um filme e nos desligamos da realidade. Às vezes, alguém nos chama e nós não ouvimos. Isso é chamado de auto-hipnose. Ele lembra que isso é muito comum também em igrejas durante as pregações. O pastor ou o padre começa a falar sem parar e as pessoas de olhos fechados entram em estado de transe, alegando em seguida que tiveram visões divinas.
Jurandyr Alvino diz que a técnica pode ser aplicada em pacientes de qualquer idade. Exceto em bebês porque para entrar em estado hipnótico a pessoa precisa ter condições de entender o que o hipnotizador está falando. Eu, por exemplo, hipnotizo crianças de 4 anos que têm medo de dentista. Entretanto, a mulher, por ser mais sensível e emotiva que o homem, é mais fácil de ser hipnotizada, salienta.
Serviço: O cirurgião-dentista Jurandyr Alvino promove cursos regulares de hipnose para médicos, dentistas, psicólogos, fonoaudiólogos, fisioterapeutas e enfermeiros graduados ou que estão no último ano do curso. Os interessados podem obter mais informações pelo telefone (43) 334-4733.Estudos mostram que a hipnose é uma importante aliada no tratamento de muitas doenças físicas e psicológicas
Paulo WolfgangNinguém em estado hipnótico faz algo que não quer fazer, observa o cirurgião-dentista Jurandyr Alvino JuniorReproduçãoA hipnose também é recomendada no tratamento de traumas, fobias, vitiligo e stress





