Obstrução nasal é a impossibilidade de a pessoa realizar a inspiração e a expiração através das fossas nasais, o que leva à respiração bucal. Segundo o médico otorrinolaringologista Flávio de Oliveira Filho, são várias as causas desse tipo de problema, entre elas desvio de septo, hipertrofia dos cornetos nasais, rinites diversas, hipertrofia de adenóide (na criança), polipose nasal, sinusite e tumores, além de manifestações alérgicas no trato nasal como asma, rinite e faringite alérgica.
De acordo com o médico, as alergias são as causas mais frequentes. Outra causa importante é o desvio de septo, que pode ser congênito, adquirido por traumas ou em decorrência do crescimento sob desvio. Entre 3 e 10 anos, é frequente também o aumento da adenóide, uma das principais causas de respiração bucal nas crianças, que traz como consequência deformidades oro-faciais. Os pequenos que apresentam esse tipo de respiração costumam roncar e babar durante à noite. Outra causa importante em crianças é a obstrução por corpos estranhos no nariz, colocados pela própria criança em função de brincadeiras ou pura curiosidade. O que exige atenção e cuidado por parte dos pais.
Segundo Flávio de Oliveira, o tratamento para sanar a obstrução nasal pode ser cirúrgico ou medicamentoso, dependendo das causas. Em alergias, o tratamento principal é a utilização de vacinas. Num primeiro momento, podem ser usados os descongestionantes nasais, mas com cautela e só sob prescrição médica. No caso dos descongestionantes nasais sistêmicos, geralmente em comprimidos ou cápsulas, é necessário observar doenças gerais que o indivíduo possa ter, para que não haja contra-indicação. Esses descongestionantes costumam provocar taquicardia, sonolência, entre outras reações, por isso o tempo de uso deve ser curto, no máximo sete dias.
Os descongestionantes de uso tópico também não podem ser usados indiscriminadamente. Oliveira nem mesmo gosta de receitá-los. ‘‘Eles não resolvem a obstrução, apenas trazem alívio imediato. Num segundo momento, porém, podem colaborar ainda mais para a obstrução, devido às alterações que o uso prolongado provoca na mucosa nasal’’, explica.
Já a solução de soro fisiológico com cloreto de benzalcônio (encontrada no mercado com os nomes de Rinossoro e Sorine, entre outros), é ideal para pacientes que apresentam rinites infecciosas ou sinusites, porque possibilitam a lavagem da cavidade nasal. No entanto, essa solução não deve ser usada por pacientes alérgicos. Para estes, o mais indicado é o uso do soro fisiológico (solução de cloreto de sódio a 0,9%), puro e simples. Ele produz remoção mecânica dos detrimentos da cavidade nasal, neutraliza a acidez da mucosa e estimula o batimento ciliar - a epiderme da cavidade nasal é revestida por cílios que, através de movimentos, impulsionam o muco do nariz, drenando-o até a garganta.
O médico Flávio Oliveira revela que uma das contra-indicações em relação aos medicamentos vasoconstritores diz respeito justamente a esse batimento ciliar.‘‘Esses remédios atrapalham o movimento, o que pode propiciar infecções secundárias’’. Por isso, é importante não usar vasoconstritores sem recomendação médica ou por tempo indeterminado.
Em se tratando de gripes, a recomendação quanto ao uso de descongestionantes nasais é a mesma. ‘‘Tanto os sistêmicos quanto os tópicos podem ser usados, mas por períodos curtos. E aqui é importante lembrar que uma gripe dura em média 7 a 10 dias, tudo o que passar disso já é complicação, o que exige cuidados extras’’, alerta o médico.

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