O Xenical na balança
O Xenical está sendo celebrado como a nova arma contra a obesidade. A sua recepção por aqui foi realmente calorosa. O Brasil foi o País que mais comprou o medicamento no primeiro mês de vendas, em janeiro. Tamanho entusiasmo tem justificativa. Sem os efeitos colaterais dos remédios para emagrecer, como as anfetaminas que interferem nos mecanismos cerebrais do paciente, o Xenical não é absorvido pela circulação, agindo diretamente no intestino e impedindo a absorção da gordura.
Ao contrário do que muitos pensam, o novo medicamento não libera o cardápio. A crença que se pode comer de tudo, coloca o Xenical como algo milagroso, mas não é. Ele faz com que apenas 30% da gordura não seja absorvida pelo organismo e ainda existem os vilões - carboidratos e açúcares, avisa a médica endocrinologista Cláudia Regina Spinosa. Também não é indicado para quem deseja se livrar de alguns quilinhos, somente para pessoas obesas, com índice de massa corpórea acima de 30, que não tiveram uma resposta satisfatória fazendo dietas e exercícios.
O principal efeito colateral é a diarréia. De acordo com a endocrinologista, as fezes se tornam mais líquidas e gordurosas. Essa gordura que está sendo eliminada pode ainda provocar vazamentos, além de incontinência fecal. A pessoa não segura as fezes, evacua sem a ação do esfíncter. Mas não acontece em todos os casos, explica. Uma dos efeitos positivos do medicamento é que, diante desses inconvenientes, a pessoa pode acabar evitando os alimentos mais gordurosos. Ingerindo menos gordura, vai haver menos efeitos colaterais no trato gastrointestinal, melhorando o aspecto das fezes, diz Cláudia.
A endocrinologista alerta ainda que a eliminação da gordura pode alterar a absorção de algumas vitaminas, como a D, que faz a absorção do cálcio. Mulheres que já têm uma predisposição à osteosporose devem ser alertadas, principalmente as que não fazem reposição hormonal. Devem ser encaminhadas ao ginecologista e, durante o tratamento com Xenical, podem ser aconselhadas a ingerir mais cálcio, observa a médica.
De acordo com ela, a perda de peso com o Xenical - vendido no Brasil só com receita médica - varia de três a quatro quilos por mês, mas o tratamento deve estar associado a dietas e exercícios. Os estudos que vêm sendo feitos mostram que cerca de 30% dos pacientes obesos conseguem emagrecer com o medicamento. Destes, 10% mantêm o peso. Em termos de resultados, portanto, o Xenical não está sendo diferente dos outros. É só mais uma opção, com a vantagem de ter menos efeitos colaterais, diz.(R.V)





