O vínculo familiar
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 01 de outubro de 1998
Jossânia Navolar 
Problemas comuns em bebês na faixa de 0 a 2 anos, como cólicas e choros constantes, falta de sono, apatia e até diarréias e febres podem estar relacionados a perturbações do vínculo primário. A informação é da psicanalista Marisa Pelella Mélega, diretora do Centro de Estudos Psicanalíticos Mãe-Bebê-Família, de São Paulo, e uma das responsáveis pelo curso de especialização Observação Psicanalítica da Relação Mãe-Bebê-Família - Modelo Esther Bick, que está sendo ministrando a um grupo de psicólogas, em Londrina.
O método se baseia na observação do desenvolvimento do bebê. Na especialização, cada membro do grupo acompanha uma família durante dois anos, uma hora por semana, no papel de observador das relações presenciadas. O objetivo é verificar a relação emocional que se desenvolve entre o bebê e a mãe, bem como com o ambiente que o cerca, visando habilitar os profissionais para um trabalho de terapia breve. O objetivo é expandir a comunicação e a compreensão da conduta da criança pequena, resolvendo problemas na relação mãe-bebê, que podem trazer consequências psicológicas ruins.
Segundo a psicóloga clínica Janir Messias Gonzalez Rocha, aluna e coordenadora do grupo de especialização, o bebê se forma, inicialmente, em harmonia e contraponto às atitudes da mãe e às expectativas que ela tem a seu respeito. Quando se fala em relação humana está se falando da matéria-prima do mundo mental, da gênese do psiquismo. Para desenvolver-se e adaptar-se ao mundo em que vive, um ser precisa de recursos biológicos, sociais e psicológicos. O psicológico é formado a partir de experiências que o bebê tem em suas relações, ou seja, da interação entre ele e outro ser humano. Portanto, é na infância que esse processo de tornar-se psicológico - ser que pensa e elabora emoções, dando significados aos seus pensamentos - acontece, explica Janir.


