Rosângela Vale
Mundialmente conhecida pela tradicional camisa pólo em piquê, a ‘‘grife do jacar钒 traz inovações para a primavera-verão 2000. O alvo é o público feminino, que passa a contar com uma linha completa – de vestidos a biquínis, incluindo acessórios – assinados pela Lacoste. O lançamento da coleção aconteceu no final do mês passado, na sede da Paramount, em São Paulo, em um evento que reuniu jornalistas do sul e sudeste do País.
Além de ser uma estratégia de marketing mundial, a ampliação das opções femininas dentro de uma marca tida como essencialmente masculina teve uma razão bem prática. Pesquisas feitas no Brasil demonstraram que mais da metade dos clientes que frequentam as butiques Lacoste são mulheres. Segundo estatísticas, elas compram para presentear maridos e filhos, mas também manifestam interesse em adquirir peças masculinas para uso próprio. A resposta da marca foi imediata: das cerca de 170 peças da coleção de verão, 50 são femininas. A principal diferença está no corte, valorizado para respeitar o corpo da mulher. Cavas e decotes ganharam destaque: aparecem arredondados, quadrados e em V.
Além dos modelos em algodão de fibra longa – principal matéria-prima da grife encontrada apenas em locais com índice pluviométrico regular, como Egito e Peru – o tricô também tem seu espaço. Não é para menos. A Paramount Lansul, que tem a licença de fabricação da Lacoste no Brasil há 15 anos, é simplesmente a maior empresa do mundo no setor de tricô, pois também é detentora do selo Pingouin. Os números são astronômicos: 1 milhão de quilos de fios tintos por mês segundo o presidente Fuad Mattar. Tamanha produtividade transformou a empresa em fornecedora da Lacoste francesa, sede da grife, que utiliza os fios na sua linha mundial, distribuída em mais de 80 países.
Produzida em Esteio, no Rio Grande do Sul, a coleção hoje disponível no Brasil segue as determinações da Lacoste francesa, mas 20% das peças são criadas em solo tupiniquim. Dado importante quando se leva em conta as medidas generosas da mulher brasileira, incompatíveis com o padrão europeu. As novidades, entretanto, não privilegiam somente elas. A linha masculina, que há tempos engloba todo o guarda-roupa (incluindo camisa e calça social, jeans, sunga, bermuda e acessórios) conta com seis temas: Classic, Yachting, Tennis, Club, Sport e Golf, sempre tendo como carro-chefe a camisa pólo em petit piquet listrado ou liso, em nada menos que 30 cores. Neste verão, a tendência é o uso da geometria em várias composições.
Com faturamento anual de US$ 700 milhões e peças distribuídas em mais de 600 butiques e mil corners em todo o mundo (o objetivo é dobrar esse número até o final do ano), a marca Lacoste nasceu nas quadras de tênis, no peito de René Lacoste, o primeiro tenista francês a ser líder no ranking mundial. Nos anos 20, ele ganhou da imprensa norte-americana o apelido de ‘‘Le Crocodile’’, graças a seu desempenho excepcional. Foi a deixa para o estilista Robert George desenhar o brasão em forma de jacaré. Em 1933, René Lacoste associou-se à melhor malharia francesa da época e passou, então, a comercializar a reconhecida camisa pólo. Começava uma das mais bem sucedidas histórias do mundo da moda .
* A jornalista Rosângela Vale viajou a São Paulo a convite da Paramount Lansul.
Serviço:
Em Londrina, a grife Lacoste pode ser encontrada na loja Knight, no Catuaí Shopping.Com uma primorosa cartela de cores, a nova coleção da Lacoste oferece mais opções para o público feminino
Fotos: divulgaçãoO pretinho básico na versão da Lacoste traz o contraste com o branco. Para ele, um look casualA camisa pólo se transforma em regata para ganhar o guarda-roupa femininoAs listras ganham destaque na coleção primavera-verão 2000

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