As circuferências da Fit, tema da coleçãoWalter Rodrigues resolveu ir fundo na sua paixão pelo Japão e interpretou a silhueta oriental com sofisticados vestidos de noite em georgete e veludo com seda pura. Assimétricos e sem cintura, com barras formando babados, os modelos são leves e fluídos - alguns ganham longas caudas com pintura sumiê, que também aparece nas amplas capas. Para dar um toque de agressividade aos looks (que exalam romantismo), botas em stretch acima dos joelhos. Nos cabelos, presos em rabos-de-cavalo, pentes de metal inspirados nos chapéus dos príncipes japoneses do período medieval. E nos braços, uma versão das braçadeiras dos samurais. A imagem de feminilidade almejada por Walter vem da heroína do filme ‘‘Ran’’, de Akira Kurosawa, que inspirou também a apresentação do desfile, com as modelos em fila, sem entradas individuais.
Antes do desfile da Fit, a estilista Renata Schmulevich declarou: ‘‘Faço roupa, não moda’’. Se tivesse seguido à risca esse preceito, que afinal caracteriza a marca, teria evitado tantos tropeços. A circunferência, tema da coleção, aparece em tamanhos e formas diversas: estampada, em relevo (como um tumor), sobre os seios e o bumbum, e evidenciada com arame na barra de vestidos retos. Alguns modelos trazem espelhos sobre os círculos, num efeito de gosto duvidoso. As espirais douradas nas estolas de veludo são um dos poucos bons momentos. Também funcionam os grandes círculos em tom ferrugem sobre fundo cinza e as meias-circunferências nas camisetas masculinas.
O tricô de Renato Loureiro: engruvinhado, formando volumes presos por cordões, e na bolsa presa pelo cinto, hit da estaçãoCom um desfile correto, a Forum reforça seu minimalismo, buscando a dosagem perfeita entre sensualidade e inteligência. Nesta dualidade, as matérias rígidas se associam às fluídas, as texturas trabalhadas às lisas, o corte reto ao viés. Pólos opostos numa mesma peça, como a blusa com alcinhas de um lado e ombros cobertos de outro, e o vestido de lã, com as costas nuas. A silhueta vem marcada por faixas com fivelas, e num truque esperto, o cachecol ganha gola alta, descendo em linha reta e funcionando como um complemento para a roupa. Nos pés, meias de couro usadas com papetes ou sandálias de salto.
Resgatando as cores e formas de sua terra natal (a Amazônia), Lino Villaventura aposta todas as fichas nas cores: vibrantes, fortes, instigantes. Transparências envolvem o corpo como casulos, em efeitos nervurados e sobreposições. A imagem é a do camaleão, que surge tanto nas estampas siliconadas como na maquiagem (cara branca, olhos escuros e lentes de contato verdes), e é reforçada pelas golas altas, alongando o pescoço, pelas mangas que imitam a pele enrugada do animal e pelos casacos que lembram asas. Mulheres-répteis e homens-lagartos surgem na passarela, que dessa vez não funcionou como palco. Destaque para a utilização de escamas de peixe desidratadas, veludo metalizado e cirê fosco.
Com a preocupação de fazer uma coleção inteligente, Renato Loureiro acertou novamente. Elogiado nas últimas temporadas, ele evolui apontando novas silhuetas para o tricô feito à mão. Blusas de lã aparecem com frente ou costas engruvinhadas, formando volumes presos por cordões; casacos ficam encorpados e armados graças à utilização de fio de feltro, e as saias compridas, também em tricô, são coordenadas com jaquetas de náilon e camisas de tricoline. Branco e preto resumem seu inverno, aquecido pelo merthiolate.
A bossa da coleção fica por conta das bolsas de tricô que vêm presas em cintos de couro, localizados na cintura ou abaixo dos seios. Ponto também para o crochê de cashmere com canutilhos e para toda a linha masculina, que não exclui a saia, um dos mandamentos fashion da estação. O homem de Loureiro, entretanto, veste saia sem constrangimentos e sem perder a virilidade, associada a jaquetas militares.

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