Qual é o melhor beijo? Certamente, não foi o que Scarlett O'Hara deu em Rhett Butler, em ''...E o Vento Levou''. Depois das gravações, a atriz Vivien Leigh, protagonista de uma das cenas mais marcantes do cinema, não hesitou em confessar publicamente que havia odiado aquele beijo. O motivo: Clark Gable tinha um mau hálito insuportável e, dizem. E foi justamente um outro hábito pouco higiênico que pode ter dado origem ao beijo.
Segundo os historiadores, antigas civilizações tinham por costume passar alimentos mastigados para os filhos pequenos, boca a boca. E isso poderia ocorrer até mesmo entre adultos. O beijo também pode ter nascido de uma necessidade de povos antigos de fazer o aquecimento das vias orais, durante o inverno, soprando ar quente na boca e nas bochechas do outro. Também cogita-se que o beijo venha do costume de algumas sociedades de ''provar'' o outro com a língua. E isso pode ter chegado na boca. Independentemente de sua origem, o beijo fez o maior sucesso entre a maioria dos povos. Atualmente, é rara a cultura que não tenha no beijo uma tradição. Nem que este seja um simples esfregar de nariz, como o singelo beijinho de esquimó.
Selinho Prometendo a mesma inocência, a moda do ''selinho'' entre mulheres ganhou as páginas de revistas e jornais. A onda, que veio do Rio de Janeiro, é o beijo selinho (só o toque dos lábios), entre garotas heterossexuais. Ao contrário do que muita gente pode pensar, trocar um selinho com uma amiga não significa uma homossexualidade latente. ''Pode até parecer um desejo homossexual, mas fica muito longe disso. É apenas um modismo, uma forma de mostrar afeto entre pessoas íntimas'', observa o psicólogo e psicoterapeuta, Cláudio Picazio, especialista em sexualidade e relações familiares.
''O beijo é uma demonstração de intimidade socialmente aceita. E o beijo de língua corresponde a um ato sexual leve. Se o beijo 'bate', o resto então... O beijo tem a ver com conquista, afeto. É por isso que o beijo é praticamente inexistente quando os casais estão em crise, por exemplo'', garante.
Pedro Paulo Carneiro, jornalista, diretor de cinema e televisão e ''expert'' no assunto, conta que há 18 tipos de ''selinho''. ''Tem o seco, o molhado, o de canto de boca, com a pontinha da língua etc.'' Tem mais, muito mais, conforme explica o beijoqueiro assumido: ''Pesquiso o assunto há cerca de oito anos. Viajei para países como Holanda, Inglaterra e Índia e nestes locais procurava ir a bibliotecas para ver o que encontrava sobre o assunto. Descobri muita coisa interessante'', afirma Carneiro, que já listou 484 tipos de beijo.
Calorias A palavra beijo é derivada do latim: ''basium'' é o beijo mais romântico, apaixonado, na boca; ''saevium'', o beijo delicado e terno; e ''osculum'', o que é dado na face. O ato em si é capaz de movimentar 29 músculos, 12 dos lábios e 17 da língua. Durante um beijo, a pulsação cardíaca pode subir para algo em torno de 150 batimentos por minuto. Também ajuda a queimar calorias, de três a 15, num beijo bem intenso. Mas certamente não foi pensando em queimar calorias que um soldado fez do seu beijo inusitado uma das cenas mais marcantes em meio às comemorações pelo fim da 2 Guerra Mundial.
Emocionado com o fim do conflito, o soldado beijou a primeira mulher que encontrou na rua, era uma enfermeira. Oportunamente, o fotógrafo Alfred Eisenstaedt clicou o momento exato da cena. A foto foi publicada na capa da revista Life e rodou os quatro cantos do mundo. Há quem diga que tudo não passou de uma montagem, mas não importa. Nada tira o brilho daquele momento e o sentimento que pulsava não somente no coração daquele soldado, mas de todos os que se sentiram aliviados com o fim do conflito. De fato, muitos artistas souberam captar com maestria o momento mágico do beijo em suas obras, é o caso, por exemplo, de nomes como Gustav Klint e August Rodin.
Bactérias Cientificamente, o beijo apresenta números interessantes. Quando você beija, está trocando, além de carinho, cerca de 250 bactérias na saliva, 9 miligramas de água, 18 substâncias orgânicas, 7 decigramas de albumina (proteína solúvel em água), 711 miligramas de materiais gordurosos e 45 miligramas de sais minerais. Melhor do que isso é saber que um beijo desencadeia a liberação de substâncias neurotransmissoras que provocam sensação de bem-estar e excitação, como a adrenalina, a dopamina e a serotonina.
Carneiro lembra que a primeira vez que beijou sentiu algo como uma transformação química em seu corpo. ''Minhas extremidades ficaram geladas e o centro do corpo, quente. A vista ficou turva, foi uma coisa fantástica.'' Deste momento em diante, ele garante que nunca mais parou de beijar. E, por isso, decidiu pesquisar o assunto a fundo. Descobriu coisas bem interessantes. ''Há um tipo de beijo, por exemplo, que potencializa o orgasmo. Basta colocar a língua no céu da boca do parceiro no momento da cópula'', ensina. O jornalista conta também que experimentos um beijo inesquecível na Índia. ''É um tipo de beijo imperdível.'' Ao contrário do beijo dos ingleses. ''Na verdade, este é um beijo muito diferente. Pode ir do tímido e recatado ao absolutamente devasso. Dizem que os ingleses beijam mal, acho que isso tem a ver com a sociedade machista e conservadora inglesa.''
Para os que não prestam atenção ao sabor do beijo, Carneiro avisa: ''Beijo sem gosto, é beijo por beijo. Não significa nada''. Como especialista, ele explica que se é possível perceber um gosto doce na boca, na hora do beijo, é porque está havendo entrega, interesse. ''Mas quando o gosto está ácido, é muito melhor... Sinaliza que a coisa perdeu o controle, a adrenalina está disparada e a curtição é total.'' Mais. Segundo o jornalista, a mulher pode até mesmo chegar ao gozo com um beijo.
E, respondendo a pergunta do primeiro parágrafo... O melhor beijo é aquele onde há total entrega. ''Não há quem não saiba beijar; há, sim, bocas, que não se casam. E aí não adianta querer ensinar o outro a beijar porque estas bocas, na verdade, nunca se casarão'', conclui. E quem beija melhor, o homem ou a mulher? ''A mulher, claro. Ela se entrega para o beijo, está mais acostumada a ceder. O homem, normalmente, não se liga na entrega. Ele vê mais o beijo como uma atividade que precede o ato sexual'', argumenta Carneiro. n
Beijo na Internet
Quando você está mandando o seu e-mail pela Internet e quer mandar beijos, não bobeie. Para cada beijo existe um símbolo certo. Quer ver?
Para beijinhos normais, do tipo de fim de carta, os três tipos mais conhecidos são: -*, x, -#. Para um beijo no rosto: -)%(-:. Já o beijo na boca: -*-: (C.C.)

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