Com atividade física, mudança de hábitos alimentares e avanços da medicina estética, não é mais possível presumir a idade de uma mulher só ao olhar para ela
Os temidos efeitos do tempo – que costumam tirar o sono das mais vaidosas – já surgem a partir dos 25 anos, quando o organismo começa a diminuir a produção de colágeno, que dá sustentação à pele. A partir de então, uma série de transformações é desencadeada. A bolsa de gordura sob os olhos torna-se mais evidente, os vincos se aprofundam e originam as chamadas rugas de expressão, o tecido gorduroso que fica sob a pele diminui e, com a evolução do processo, as maçãs do rosto ‘‘caem’’, a ponta do nariz tende a desabar, os lábios perdem o volume e a gordura se acumula com facilidade nas coxas e no abdome.
Resignar-se era tudo o que a mulher podia fazer há 15, 20 anos, principalmente as desprovidas de uma boa conta bancária. Mas, se o tempo não pára, a medicina também não. E, apesar de ainda não se ter encontrado o elixir da juventude, muitos produtos e técnicas cirúgicas foram aprimorados para tornar mais agradável a convivência com o espelho (leia matérias nas páginas seguintes). E o que é melhor: a cirurgia plástica se tornou acessível ao bolso da classe média.
Desde a implantação do Plano Real, há sete anos, fazer um lifting ou uma lipoaspiração coube no orçamento de milhares de brasileiras. Em 2000, foram realizadas 350 mil cirurgias no País (60% estéticas e 40% reparadoras), e a expectativa é de que esse número só cresça. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, o mercado vem registrando um aumento de 20% ao ano. A campeã absoluta de procura é a lipoaspiração, seguida de intervenções na mama e procedimentos de face.
Mas a ação do bisturi não é a única responsável por vitórias nessa batalha contra os efeitos do tempo. A consciência sobre a importância de tornar a atividade física um hábito e de seguir um cardápio mais saudável produziu um fenômeno dos tempos modernos. Hoje, já não é mais possível presumir a idade de uma mulher só ao olhar para ela. Aparentar 10 anos menos deixou de ser algo extraordinário. Algumas delas contam o porquê nesta reportagem.

‘‘Sempre ouço expressões do tipo: ‘dormiu no formol?’ ou ‘você é como vinho, quanto mais velha, melhor’. Hoje a gente tem mais recursos. Há 30 anos, eu não era praticante assídua da musculação. Fazia mais o trabalho aeróbico. Atualmente, estudos de universidades importantes descobriram os benefícios da musculação até para a terceira idade. A mulher mais velha acumula muita gordura localizada. Depois dos 40 anos, o que mais prejudica é a disfunção hormonal. O treinamento de força modifica a taxa metabólica da pessoa. A musculação faz com que o metabolismo aumente e, como o tecido muscular é metabolicamente mais ativo do que o tecido adiposo, até quando a pessoa está sentada no sofá vai estar queimando calorias. Hoje, na academia, 99,9% das mulheres acima dos 40 anos fazem musculação. No contexto geral, existe uma fórmula para manter a saúde e a forma: 60% depende de uma alimentação balanceada; 30% da atividade física e 10% de uma vida tranquila, sem muito stress, que envelhece. Com isso, toda mulher consegue chegar aos 40 aparentando 10 anos menos. Um estímulo extra à pele sempre faz bem. Só uso produtos joponeses, que realmente fazem tudo o que prometem no rótulo; me alimento a cada duas horas e prefiro saladas e legumes no almoço e no jantar. A única coisa que a ginástica não devolve são os seios perfeitos. Depois de amamentar, eles mudam demais. Há 10 anos, coloquei prótese de silicone para corrigir isso. A constituição genética oriental ajuda, mas não é tudo. É preciso se cuidar. Nunca tinha visto mulheres japonesas com celulite até a última vez que fui ao Japão. Fiquei assustada ao vê-las nos banhos públicos. Tudo por causa da invasão do fast food no País’’. Alice Takeda, 47 anos

‘‘Fiquei deprimida quando fiz 30 anos. Tinha uma imagem diferente das mulheres com essa idade: de mãe, dona de casa, com cabelos acabados e curtos. Não sei porque ficou a idéia de que depois dos 30 era preciso cortar os cabelos. Mas depois passou. Quando fiz 40 anos, nem dei bola. Não senti que a idade chegou. Acho que a genética só é responsável por 50%. O resto depende da gente. Sempre tive um estado de espírito muito bom. Não sou de esquentar a cabeça, remoer as coisas. Acho que a beleza vem justamente disso. Quando uma pessoa é amarga, parece que isso se projeta na forma física. A gente tem que ficar de olho nas mudanças do corpo, mas sem extremos, senão vira escravidão. Até dois meses atrás, meus cabelos eram totalmente virgens, mas tive que pintar para cobrir alguns fios brancos. Comecei a passar ácido na pele e filtro solar há apenas um ano. Tento controlar a alimentação e faço ginástica (musculação e atividades aeróbicas) uma hora e meia por dia. Acho que o acúmulo de gordura no corpo é o que mostra a idade. Morro de medo de agulha, mas vou ter que perder, pois acho tudo válido: botox, peeling, plástica. É uma grande conquista para as mulheres’’. Denise Garcia Balarotti, 40 anos

‘‘Nunca tive problema em dizer minha idade. Acho que é preciso viver todos os momentos da vida. Com a idade, vem mais experiência e sabedoria. O passar dos anos nunca me afetou. Tive quatro filhos em cinco anos e costumava engordar muito na gravidez, mas sempre recuperava a forma. Sempre malhei. Ginástica, na minha vida, foi uma constante. Há três anos faço ginástica facial diariamente. Acredito muito em trabalhar a musculatura. Se no corpo dá certo, por que não no rosto? Não adianta passar mil cremes se não se trabalha os músculos. Minha rotina de malhação começa às 6h30 e vai até às 10 horas, de segunda à sexta. Aos sábados e domingos, faço caminhadas. Não sei se é vaidade; é uma coisa que eu gosto. Fiz plástica nos olhos para retirar bolsas de gordura quando eu tinha 39 anos, e também uma lipoaspiração no abdome, que estou querendo fazer de novo. Uso um produto japonês com alta concentração de vitaminas C e E, que são anti-oxidantes. E, ao contrário do que recomendam os médicos, tomo muito sol. Lucinéia de Abreu Grizzo, 55 anos

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