O tempo é muito precioso
Quando foi questionada se era uma pessoa "atrasada", Silvia de Luca, de 27 anos, logo rebateu: "eu nunca tinha pensado nisso. Para mim esses atrasos eram normais." Ela foi "denunciada" para a reportagem por uma amiga, que reclamou dos constantes "atrasos sociais" da jovem. Após pensar no assunto ela admitiu: "sou enrolada e procrastino as atividades. Meu problema é a falta de planejamento na hora de sair."
Silvia atualmente trabalha em casa, com artes visuais e fotografia, e argumenta que não atrasa com prazos do serviço. "Trabalho com uma amiga e também faço alguns trabalhos sozinha, mas sempre sou responsável com essas atividades", garante. Nos compromissos pessoais e sociais, no entanto, a jovem admite que quase sempre chega atrasada. "O problema é que sempre acho alguma coisa mais interessante para fazer nessas horas, principalmente na internet. Então sou do tipo que fica enrolando e adiando esse momento de me arrumar e sair", explica.
Na família, a mãe de Silvia é a pontual convicta, que não gosta de esperar. "Minha mãe pega muito no meu pé e sempre fica cobrando que eu seja pontual, principalmente em almoços de família, aos domingos, ou quando precisamos ir para a casa de alguém. Às vezes eu nem estou atrasada e ela já está falando. Por isso que eu sou mais sossegada, mais devagar", diz.
Apesar dos atrasos, Silvia afirma que nunca perdeu nada importante por conta da demora em sair de casa. "Uma vez eu quase atrasei para o casamento da minha prima, mas no final deu tudo certo. Então deve ser por isso que eu continuo sendo enrolada", brinca.
Na dose certa
A empresária do ramo imobiliário Glícia Cardoso Lima tem origem mineira, mas poderia facilmente ser confundida com uma britânica. Sempre pontual, Glícia não aceita que ninguém fique esperando por ela, mas confessa que não se importa de esperar seus clientes e amigos para algum compromisso. "Não tenho problema nenhum de esperar as pessoas, mas me incomoda muito que fiquem me esperando."
Ela explica que, como trabalha com uma sócia com atendimento a clientes, está sempre planejando seu dia para que nenhum compromisso atrapalhe o outro. As aulas na academia são feitas às 7h30, e nenhum cliente é marcado para antes das 9h30. "No meu ramo nada é marcado para muito cedo, então já faço academia logo pela manhã para depois ficar livre." Apesar de ser bem regrada com os compromissos e nunca esquecer um horário, ela conta com a ajuda de um aplicativo de celular.
"A agenda sempre me avisa os horários, e os alarmes tocam mais de uma vez. Mesmo assim administro tão bem minha agenda que sempre tenho tempo, não fico naquela vida corrida." Quando acha que não vai dar conta de um compromisso, ela liga e avisa. "Acho um desrespeito, principalmente na minha profissão, deixar as pessoas esperando", afirma.
Glícia conta que sempre foi pontual. Diferente de Silvia, que acabou ficando mais "sossegada" porque a mãe é muito pontual, a empresária é assim justamente por influência da família. "Na minha família isso é muito comum, esse senso de responsabilidade veio da minha origem, da minha criação", diz. Para continuar a geração de pontuais, ela afirma que passou essa forma de agir para os filhos. "Virou uma coisa natural. Como eu não atrasava eles também não atrasam. Acho ótimo porque o tempo é muito precioso", valoriza.






