Um CD que é a cara do dono. Ou melhor, tem a voz dele. O que há algum tempo era um sonho até para vozes mais privilegiadas, hoje pode ser conquistado por qualquer um de nós, adeptos da cantoria do chuveiro ou dos karaokês.
A novidade está no Studiokê que funciona no Shopping Catuaí há dois meses. São dois estúdios com aparelhagem de videokê. Nos bastidores, computadores se encarregam de passar para o CD a performance do cantor.
O proprietário Ricardo Vicentin de Oliveira conta que a idéia surgiu quando ainda fazia gravações em casa, de forma mais doméstica. Profissionalizou o processo que se traduz num CD de excelente qualidade.
‘‘Cabines revestidas de espuma acústica e equipamentos com tecnologia de ponta garantem a satisfação do cliente com o produto final’’, observa Ricardo. ‘‘A alta definição do som não deixa nada a dever a um CD original’’, garante.
O repertório do Studiokê tem sido executado por todas as faixas de idade. Alguns querem o CD para só ouvir, ou então, exibir o vozeirão; crianças presenteiam os avós; namorados aproveitam para declarar o seu amor. A opção de gravar uma mensagem com fundo musical é também um chamariz. Cantores que almejam seguir carreira usam o disco para divulgação. -
O administrador de empresas Ricardo Pazzanese diz que o serviço é uma forma de ‘‘reviver momentos da nossa vida.’’ Compara ao prazer de assistir em vídeo conversas que teve com o pai e de rever imagens das filhas ainda pequenas.
No estúdio de karaokê, Pazzanese interpretou uma música de Frank Sinatra. Em casa, tenta convencer amigos de que a canção registra o início da sua carreira do cantor. ‘‘Eles elogiam e até hoje não me atiraram laranjas’’, brinca.
A música está muito presente na vida dos Pazzanese. Vera, mulher de Ricardo, se considera uma ‘‘cantora de chuveiro’’, mas revela que sempre gostou da arte. Aprendeu a tocar violão aos 13 anos e participou de inúmeras serenatas com grupo de amigos. Vera entende que gravar o CD permite perceber melhor os efeitos da voz e corrigir falhas da interpretação. O efeito anti-stress do videokê é outro aspecto positivo: ‘‘Faz bem para a cabeça’’, diz ela.
A decoradora Mônica Montenegro lembra a origem do karaokê ao mencionar sua característica terapêutica: ‘‘O japonês leva a sério o karaokê e não faz terapia’’. Praticante da diversão, ela diz que cantar é uma forma de relaxar, tranquilizar-se. ‘‘Quem canta dorme melhor’’, afirma.

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