O sim da questão
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sexta-feira, 28 de outubro de 2011
Vivian Fukushima<BR>Enviada a São Paulo 
Aceitar todas as atitudes dos filhos corretas ou incorretas não é sinônimo de amor incondicional. Muitos pais exageram nos cuidados e atenção com os filhos e nem imaginam que esses excessos podem transformá-lo em um adulto egoísta, competitivo em excesso, interesseiro, entre outros desvios de comportamento.
De acordo com a psicóloga Maria Lucia Bezerra de Sá, essa geração padece do narcisismo dos pais, que querem sempre bancar os "superpais", e não fazem questão de exigir nada dos filhos. "Hoje os adolescentes não precisam mais lavar a louça, arrumar a cama, porque sempre tem quem faça isso para eles", observa.
Maria Lucia argumenta que desde os primeiros anos de vida da criança, as atitudes que os pais tomam fazem toda a diferença no futuro. "O bebê vem ao mundo para ser a oitava maravilha do mundo. Fazemos tudo por ele. Mas, com o passar dos anos, ele precisa entender que a vida tem frustrações e ninguém morre em função delas", afirma, acrescentando que tais frustrações a que se refere são os "espere um pouco", "hoje não", e outras questões simples do dia a dia.
Uma dica da psicóloga para saber se a criança sabe lidar com decepções, privações: "Se entre os quatro, cinco anos, ela ainda se revolta diante de um "não", é porque os pais estão errando em algum ponto. No entanto, essas atitudes podem ser corrigidas, sim, com muitos benefícios na vida adulta
Algumas situações vistas na ficção, seja em filmes ou novelas, podem muito bem se repetir e arruinar famílias na vida real. Confira alguns erros cometidos por mães, e como eles repercutem de forma extremamente negativa na personalidade dos filhos.
Supervalorização do filho: Mimo e soberba - Não é raro encontrar mães e pais que enxergam seus filhos com lentes cor-de-rosa, como se fossem perfeitos. Cada qualidade é destacada ainda mais, o que faz o filho acreditar ser superior às outras pessoas. Já os defeitos são minimizados.
Para Sônia Fuentes, doutoranda em Psicologia Clínica e mestre em Gerontologia, de São Paulo, não é raro que um filho mimado se transforme em um adulto egoísta - e, tal qual um bebê, imediatista, exige que seus desejos sejam atendidos na hora. "A infância não pode ser sinônimo de receber sempre tudo o que se quer, sem esforço algum, como um bebê que, ao chorar, geralmente recebe não só o leite, mas afeto também. Se a mãe continua com a dinâmica de dar sempre tudo pronto e ignora a possibilidade de crescimento do filho, ela acaba prejudicando-o", explica.
Erros acobertados: Ausência de limites - Passar a mão na cabeça do filho que comete um erro é a pior coisa que a mãe ou o pai podem fazer, mesmo que acreditem cegamente que está poupando a criança de algum sofrimento. "E não estamos falando aqui de represálias físicas ou radicais. É preciso que eles saibam o peso das consequências. Cada delito varrido para baixo do tapete é, muitas vezes, escondido do pai ou da mãe que não têm a chance de tomar uma medida adequada". Sonia afirma que quando a mãe acoberta um erro do filho, ele acaba se tornando reincidente. Na vida adulta, torna-se uma pessoa sem limites, capaz de tudo. "E com muita autoconfiança, pois acredita que sempre vai dar um jeitinho em qualquer situação".
Supervalorização das aparências: Perfil interesseiro e egoísta - A psicóloga Maria Lucia Bezerra de Sá explica que até os sete anos de idade, a criança aprende tudo pelo aspecto concreto, ou seja, mais vale o que ela vê do que o que ela ouve. Dessa forma, se a mãe tem uma forte ligação com a imagem, por exemplo, há uma tendência de ela também desenvolver isso. "Torna-se egoísta aquele que pensa que o mundo gira em torno de si e se esquece que existem outras pessoas que também necessitam de bens materiais, mas, principalmente, de afeto, carinho e ajuda. Os pais devem incentivar os filhos a compartilhar brinquedos ou roupas, por exemplo", acrescenta Sônia Fuentes.



