O ritmo é alucinante. Luzes coloridas por toda a parte, pessoas dançando ao som de música eletrônica, uma tenda enorme onde a agitação dura várias horas. As raves – festas ao ar livre que ocorrem geralmente na periferia das grandes cidades, quase sempre de madrugada – são um cenário perfeito para o consumo de bebidas energéticas, anunciadas pela propaganda quase como um elixir ‘‘milagroso’’ que atenua o cansaço e aumenta a disposição física e mental. Quer aproveitar toda a badalação, curtir a noite sem sentir aquele cansaço? Então pegue algumas latinhas. Pronto.
O problema está aí. Energéticos contêm cafeína, um estimulante natural que age sobre o sistema nervoso central. Uma lata com cerca de 250 ml da bebida não tem muito mais cafeína do que uma xícara com 150 ml de café, por exemplo. A pessoa tende a consumir o energético com outro estimulante, como café ou chá, para potencializar o efeito, ou a misturá-lo com álcool. Essa mistura, às vezes, pode ser maléfica ao organismo.
Problemas ‘‘A cafeína presente no café, no guaraná, nos chás, aumenta a frequência cardiorrespiratória, pode provocar gastrite – irritação estomacal e irritação na mucosa intestinal’’, afirma Daniel Magnoni, cardiologista do Hospital do Coração em São Paulo. ‘‘Pessoas com problemas cardiovasculares ou gastrointestinais não devem abusar da cafeína’’, diz. A mistura de energéticos e álcool provoca uma alteração no sistema nervoso central. À excitação inicial segue-se a sonolência. Pode haver até tontura e desmaio.
Adultos que não têm doenças que possam ser agravadas pela cafeína podem tomar três ou quatro xícaras de café e terão os sentidos mais aguçados. Estudantes ou profissionais que precisam estar atentos por um longo tempo, como médicos que fazem plantão, só têm a ganhar com o consumo moderado da substância. Doses maiores, entretanto, podem causar de insônia a taquicardia.
Esses efeitos variam. ‘‘Há pessoas que tomam um café à noite e não conseguem dormir. Outras têm de tomar um cafezinho para ir dormir’’, diz Paulo Zogaib, fisiologista da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Polêmica Outro problema apontado pelos especialistas é a suposta ação da taurina presente nos energéticos. Esse aminoácido é responsável pela síntese de algumas proteínas no organismo. ‘‘Nenhum trabalho científico sério mostra que a associação de cafeína com taurina mexe de forma benéfica em algumas funções do organismo’’, afirma Magnoni. ‘‘Há pouca coisa de verdade nisso.’’ A polêmica que parece cercar o assunto chegou a Brasília. Em 1999, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou o recolhimento de todos os energéticos do mercado.
Os motivos: falta de explicação em português sobre a bebida (a maior parte delas não é produzida no Brasil); ausência de aviso prevenindo idosos e cardíacos quanto a seu consumo; falta de comprovação em relação aos efeitos que os energéticos anunciam produzir e, no caso da Red Bull, índices vitamínicos que eram até 100% maiores que os recomendados pelo Ministério da Saúde.
A Anvisa informou, por meio de sua assessoria, que os fabricantes acataram as exigências e, assim, puderam voltar ao mercado. A Red Bull é a líder do mercado nacional. No ano passado, 15 milhões de latas foram vendidas no país e 1 bilhão no mundo, de acordo com a assessoria de imprensa.
Segundo a empresa, não há registro de nenhum caso de efeitos negativos originados pela mistura da bebida com álcool, nem o excesso de consumo seria maléfico.

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