O retorno ao mundo dos solteiros
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 14 de agosto de 2008
Humberto Maia Junior<br>Agência Estado 
Um dia Renato (*) se tocou. O casamento de dez anos já não existia. Finalmente, era um homem livre. Mas, ah, como é difícil a vida de solteiro. Primeiro, teve de ir atrás dos velhos amigos. Em seguida, descobrir qual o local da azaração. Lembrava da Rua Franz Schubert, próximo à Avenida Cidade Jardim, em São Paulo, cheia de bares e casas noturnas. Isso na década de 90. No século 21, a rua tem outro perfil.
Próxima dificuldade: como se aproximar de uma mulher. Na sua época de solteiro, isso ocorria durante as músicas lentas. Era quando as coisas podiam acontecer. Hoje, a aproximação é na base do xaveco. Nem aprender isso deixou as coisas mais simples. Aos 36 anos, Renato estava longe de ter um tipo físico atraente. Ele e as mulheres de sua faixa etária. Muitos podem não concordar mas, para Renato, não ficava nada bem ver homens e mulheres quase quarentões na caça. E agora, Renato?
O que fazer?
Esquecer os traumas, adaptar-se à nova realidade e saber o que dizer na hora H são algumas das dicas da psicóloga americana Laurie Helgoe. Com a experiência de personal trainer amorosa, ela escreveu o livro De Volta ao Mercado - Reaprendendo a Namorar depois da Separação, para quem acabou de terminar um longo relacionamento e se vê perdido no mundo dos solteiros.
Em entrevista à reportagem, a escritora Laurie Helgoe dá quatro dicas para quem saiu traumatizado de um relacionamento: conversar com amigos sobre a tristeza e, em caso de depressão, consultar um psicanalista; se valorizar e não aumentar o sofrimento; desenvolver a auto-estima seja relembrando os sucessos amorosos do passado, renovando o guarda roupa, indo à academia; e, por último, se divertir quando for a um encontro.
Pode parecer surpreendente, mas os homens têm mais dificuldades em voltar a se relacionar, diz Laurie Helgoe. As mulheres costumam ter mais amigos íntimos e familiares para se abrirem. Os homens tendem a confiar apenas em suas mulheres e, quando se divorciam, se sentem perdidos em não ter com quem conversarem. Se tentam superar a tristeza se fazendo de durões, se sentem ainda mais sozinhos. As mulheres têm medo em aparentar velhice e, com isso, serem menos atraentes aos homens. Se não têm filhos, receiam nunca engravidarem. Também se preocupam com questões financeiras, especialmente se o marido trabalhava e ela cuidava dos filhos, explica.
O terapeuta sexual Oswaldo Rodrigues Junior concorda que são muitas as dificuldades a serem superadas. Ele explica que a mudança no estado civil é uma mudança de identidade social complexa. Isso depende de tempo e de assimilação por si próprio e pelos outros à volta, que nem sempre facilitam o processo, argumenta.
Já Renato, o personagem desta matéria, conseguiu se readaptar retomando amizades do passado. Há dez meses namora um antiga amiga. Dei uma baita sorte, admite. Agora, a nova etapa é se readaptar ao papel de namorado, com mais limites do que o de marido. Nunca tinha dormido na casa de uma namorada. Não posso me comportar como marido.
(*) Nome fictício


