O (re)descobrimento da América
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quinta-feira, 26 de julho de 2007
Herika Fondazzi<br> Reportagem Local 
Viajar para fora do País é o sonho da maioria das pessoas. Mas seja qual for o destino, Europa, Estados Unidos, África ou América Latina, a realização acaba muitas vezes esbarrando na falta de condições financeiras. Passagens, hospedagem, passeios, alimentação pesam no orçamento e são indispensáveis.
A solução para muitos jovens é encarar a aventura de trabalhar no estrangeiro e, com isso, pagar parte das despesas. Foi com esse objetivo que vários deles se reuniram, no último domingo, para uma feira internacional de empregos promovida pela World Study em parceria com empresas americanas dispostas a contratar brasileiros para trabalhos temporários.
Através desse intercâmbio é possível ficar até quatro meses nos Estados Unidos ou outro país com um emprego legalizado, saindo do Brasil com tudo acertado, desde emprego até local para morar. ''Hoje em dia trabalhar ilegalmente nos EUA é quase impossível. Desde os atentados de 11 de setembro, a entrada está bem mais rigorosa'', diz o diretor da World Study, Ramon de Rezende.
Segundo ele, com o contrato de emprego com uma empresa americana tudo fica mais fácil. ''Basicamente são trabalhos na área de prestação de serviços. As vagas são em hotéis, resorts, estações de esqui, restaurantes, cassinos e gift shops (lojas de presentes). Existem vagas para garçom, camareira, recepcionista, atendente, caixa, em diversas cidadas americanas. O posto ocupado e a cidade vão depender do interesse da empresa e do estudante'', diz o diretor do World Study, Ramon de Rezende.
Para conseguir as vagas mais promissoras, que são aquelas onde é possível ganhar um extra com gorjetas, ele afirma que os empregadores exigem um bom nível de inglês, além de boa aparência e simpatia. ''Mas para quem não tem inglês fluente existem outras ocupações'', garante.
Inglés e dólares- Foi a possibilidade de viajar aos EUA que fez o estudante de direito Andrei Ivan Françoso Leite da Silva, 22 anos, escolher durante a feira a vaga de banket server (servente de bufê) em um hotel da Pensilvânia. ''Meu objetivo principal é aprender bem o inglês, mas um amigo já foi para lá com essa função e me disse que tirava um bom ganho com gorjetas, além do salário. Espero poder pagar os gastos da viagem com esse dinheiro'', explica.
Mas o que leva empresas americanas a enviarem seus funcionários para o Brasil à procura de estudantes dispostos a trabalhar? Segundo Ramon, os próprios brasileiros são os responsáveis. ''Os empresários dizem que somos o melhor povo para contratar, porque somos simpáticos, flexíveis, não temos medo do trabalho e aprendemos rápido o inglês, além de termos facilidade para nos comunicar em espanhol'', revela.
''Outro motivo para existirem essas vagas de trabalho é que são funções que os jovens americanos não desejam fazer. Eles não valorizam esse tipo de trabalho e também não precisam do dinheiro'', completa a assessora de imprensa da World Study, Susan Karla Naime. A média de salário para os estudantes que participam do intercâmbio é de sete dólares por hora em uma jornada de 32 horas semanais no mínimo.
Salário que, segundo Ramon, é suficiente para se manter e até fazer uma economia. ''Cerca de 70% dos estudantes conseguem recuperar o que investiram na viagem. Isso depende de como a pessoa vai gastar o dinheiro que recebe'', diz Ramon, lembrando que esse não é o objetivo principal dos estudantes que se inscrevem para esse ou outro tipo de intercâmbio (veja box). ''O que eles mais querem é ter uma experiência em outro país e treinar o inglês'', garante.
Para a estudante de marketing Crisllien Lucieine de Oliveira, 25 anos, o trabalho de camareira em um hotel da Flórida, contratado na feira de domingo, representa uma oportunidade de preparar seu futuro. ''Quero unir o útil ao agradável. Além de viajar para conhecer os Estados Unidos e treinar meus inglês, também quero tentar fazer contatos e encontrar um lugar para voltar e fazer pós-graduação. Se tudo der certo pretendo até conseguir um emprego na minha área depois e me mudar para lá definitivamente'', planeja.
Enquanto a viagem, marcada para novembro, não chega, ela garante que apesar da ansiedade natural, está tranquila com relação ao trabalho e a permanência de quatro meses em terras estranhas. ''Meu único problema é saber o que levar na mala'', brinca.
Para os que já se inscreveram no processo de intercâmbio e não conseguiram definir uma vaga na feira de domingo, Susan lembra que já estão agendadasa outras duas oportunidades: uma amanhã (28), em São Paulo, e outra em agosto, em Curitiba. ''Mas também existe a possibilidade de conseguir a vaga sem ir na feira. Aí nós definimos a colocação de acordo com as necessidade do empregador e os desejos do estudante'', garante.
Para participar do intercâmbio, é necessário ser estudante universitário, ter entre 18 e 28 anos de idade e possuir um nível pré-intermediário de inglês. O custo médio do programa é de 2.185 dólares e a saída acontece entre novembro e janeiro de cada ano, com permanência de três a quatro meses.


