A turma financeira estremeceu quando ouviu que o Brasil seria ‘‘a bola da vez’’, indicando tempos de crise em terras tupiniquins. Pois bem, no universo fashion, o Brasil também pode ser de novo a bola da vez, só que aí, a reação é bem outra. Depois da inclusão de Ocimar Versolato no fechado clube da alta-costura parisiense e do desfile londrino de Alexandre Herchcovitch em evento paralelo à London Fashion Week, os brasileiros ainda viram o nome do estilista curitibano Icarius entre as dez revelações da revista francesa Depeche Mode.
Lorenzo Merlino também não deixou por menos e garantiu um lugar no guarda-roupa da poderosa Madonna. Por tudo isso, espera-se que seja mesmo a vez dos estilistas brasileiros, como já aconteceu com os japoneses na década de 80 e com os belgas recentemente.
Uma mulher obstinada pode fazer o sonho virar realidade. Quem frequenta o mundo da moda conhece Vivi Haydu, que além de diretora da Feira Internacional da Indústria Têxtil (Fenit), também é, às vezes, fada madrinha dos jovens estilistas. Com o aval da poderosa Alcantara Machado (que patrocina eventos como MorumbiFashion e a Semana de Moda), Vivi diz ter ‘‘vestido a camisa da nova geração’’.
Em uma coletiva informal para os jornalistas que participavam da 5ª Semana de Moda, em São Paulo, a diretora da Fenit deu a boa notícia para a moda brasileira. Em outubro, estilistas selecionados estarão desfilando suas criações no badalado Carrosel do Louvre, em Paris. A data tão desejada foi conseguida depois da parceria da Alcantara Machado com o bureau de estilo francês Girault-Toten, responsável pelos novos criadores franceses.
A ansiedade agora é para descobrir quem serão os cinco estilistas - e talvez as cinco grifes - que irão desfilar em Paris. O nome do curitibano Icarius é citado, e Vivi Haydu diz que ‘‘Paris se encantou com o trabalho dele’’, mas nem assim confirma a presença dele nos desfiles. ‘‘O Icarius é uma pessoa que pode acontecer independentemente do desfile’’, conta. Vivi Haydu enfatiza: ‘‘Estou levando os novos criadores para lá, não porque eles vão vender lá, mas porque vão ser reconhecidos aqui’’.
Por enquanto, a falta de patrocínio é o grande fantasma que ronda o universo fashion.

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