Quando tem um filho, o que os pais desejam que ele tenha saúde e seja feliz e bem-sucedido nos estudos e no trabalho. Para garantir a segunda parte do sonho, a minoria que tem recursos opta por matricular os pequenos em escolas conceituadas e de boa estrutura física e pedagógica. Mas com a queda na renda de famílias da classe média, o que se tem visto é uma volta dos alunos para as escolas públicas, até então encaradas como despreparadas e sem muitas condições de ensinar.
De acordo com a secretária de Educação de Londrina, Carmem Sposti, a qualidade no ensino das instituições do governo teve uma grande melhora nos últimos anos. ''Só posso responder pelas escolas municipais, que são as que eu conheço. Desde 1998, com a criação do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef), os recursos do Governo para as escolas aumentou bastante e conseguimos melhorar tanto a estrutura física como de pessoal das escolas'', garante.
Segundo a secretária, atualmente existem salas para atender toda a demanda do ensino fundamental, e cerca de 95% dos professores já possuem curso superior. ''Temos um programa de formação continuada para incentivar os professores a se aperfeiçoar. Quem estuda ganha uma quantia em dinheiro para ajudar nos custos. Além do plano de carreira e dos concursos, que estão exigindo profissionais mais capacitados. Até nas creches temos agora um número grande de professores formados'', diz.
Outra boa iniciativa são os seminários que acontecem uma vez por mês e onde os professores podem trocar experiências e idéias de atividades e materiais para melhorar as aulas. ''Por causa disso e da melhoria na merenda, que não falta mais e é de boa qualidade, a evasão escolar caiu muito'', comenta.
Apesar das melhorias, a secretária não nega que ainda existe muito para se fazer. Uma das metas é conseguir criar a escola integral para crianças de regiões com maior vulnerabilidade. ''Em parceria com programas como o Viva a Vida e a Fundação Esporte podemos dar outras oportunidades de atividades para os alunos e tirá-los das ruas no período que eles não têm aulas'', explica. Aumentar o número de vagas nas creches também é um desafio em determinadas regiões. ''Já aumentamos em 25% o total de vagas, mas em alguns bairros isso não foi suficiente e precisamos fazer mais'', diz.
Para todas as escolas da rede municipal, uma grande preocupação é oferecer o acesso à informática. Atualmente, segundo Carmem, existe um estabelecimento que possui uma sala de aula equipada com computadores para os alunos. ''É nosso projeto-piloto para verificar como alunos e professores irão se comportar e como podemos trabalhar essa questão nas outras escolas'', afirma. Para o próximo ano, o objetivo é que dez laboratórios já estejam instalados e funcionando. ''Temos alguns convênios acertados para disponibilizar os equipamentos e treinar os professores. Ainda estamos atrasados nesse ponto, mas estamos tentando melhorar'', comenta.
A secretária lembra que a escola pública já esteve muito desvalorizada, mas acredita que esse quadro está mudando. ''Digo que a escola está na sua melhor fase dos últimos anos. Os pais que estão pensando em matricular seus filhos em estabelecimentos públicos do município podem ficar tranquilos que nós estamos formando nosssos alunos muito bem. Meus filhos estudaram em escolas públicas e não me arrependo disso'', argumenta. n

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