Calores súbitos, falta de interesse sexual, perda da firmeza da pele, ganho de peso, osteoporose. Estes são alguns dos sintomas que caracterizam a menopausa, fase em que a produção de hormônios diminui, caracterizando o fim do período fértil. Geralmente, os sintomas começam depois dos 45 anos de idade e comprometem bastante a qualidade de vida das mulheres que não estão preparadas para viver essa mudança.
Mas, segundo a ginecologista Liliana Cláudia Spironelli, nem todas as mulheres sofrem igualmente os efeitos da menopausa. ''Existem diferentes níveis de sintomas. Têm mulheres que não sentem nada, algumas sentem alguma coisa e outras reclamam bastante dos problemas causados pela diminuição dos hormônios'', afirma.
TRH sob suspeita Para amenizar e até eliminar esses efeitos, há cerca de 10 anos os médicos começaram a utilizar a terapia de reposição hormonal (TRH). Essa terapia pode ser feita via oral (cápsulas), parenteral (injeções), transdérmica (adesivos e géis) ou através de implantes colocados no braço ou no útero. Em todos eles, a paciente recebe uma dosagem dos hormônios estrogênio e progesterona.
O problema é que esses hormônios são sintéticos e alguns estudos mostram uma possível relação entre seu uso e o surgimento de câncer de mama e de endométrio, além de possíveis riscos cardiovasculares. O nutrólogo bio-ortomolecular e acupunturista, especializado em medicina tradicional chinesa, Júlio Takeuki Higashi, explica que a Food and Drug Administration (FDA), órgão americano que controla a produção e consumo de comidas e medicamentos nos Estados Unidos e serve como referência também no Brasil, se antecipou na indicação do uso de hormônios nas mulheres acima de 45 anos.
''Há cerca de sete anos, eles disseram que toda mulher deveria fazer TRH. Há cinco anos eles desaconselharam o tratamento para mulheres com casos de câncer de mama. Há um ano, eles recomendaram a suspensão da terapia. Foi um erro ter liberado antes de se fazer os estudos necessários'', comenta.
O lado bom Já para Liliana Spironelli, o suposto aumento nos casos de câncer de mama se deve ao avanço da medicina. ''Com a melhoria nos exames de diagnóstico, podemos detectar o câncer mais facilmente. Por isso, os casos aumentaram'', garante. Mas ela não discorda da possibilidade da TRH aumentar as chances de câncer, embora a terapia seja benéfica para outros problemas típicos da menopausa. ''A reposição hormonal é boa para osteoporose, doenças osteoarticulares e, segundo alguns estudos, até pode melhorar os sintomas do mal de Alzheimer. Mas como todo medicamento tem indicações e contra-indicações, a TRH também tem o lado bom e o lado ruim. O problema é que hoje todo mundo receita hormônios de forma indiscriminada'', explica.
E o uso incorreto, segundo a especialista, é responsável pelas complicações que a TRH pode causar no futuro. Ela lembra da importância de se fazer exames de mama, diabetes, colesterol e coração antes de submeter a paciente à medicação. ''Os tratamentos são muito específicos e variam no tempo e na quantidade de hormônios ministrados. Sem os exames e um acompanhamento médico durante o tratamento, realmente existem riscos à saúde, mas se os cuidados forem tomados, eles são praticamente nulos'', afirma. Ela diz que a terapia dura no máximo dez anos, e as pacientes devem voltar ao consultório a cada seis meses ou um ano. ''Mulheres que vêm aqui, pegam a receita e não aparecem para as revisões, eu não recomendo mais o tratamento'', garante.
Outro cuidado é verificar quem realmente precisa da reposição hormonal. Nos casos em que os sintomas são isolados, remédios mais específicos funcionam bem. ''A TRH não é para todo mundo. Se a paciente tem somente problema de secura vaginal, por exemplo, basta um gel lubrificante que o problema está resolvido. Há muitos casos em que eu não recomendo a terapia simplesmente porque ela não é necessária'', completa a ginecologista.
Medicina chinesa Mas para quem prefere não arriscar existem os tratamentos alternativos. Um deles é realizado pela medicina tradicional chinesa, que trata o paciente como um todo e encara o problema da menopausa por outro ângulo. ''A medicina convencional acredita que são os ovários que passam a produzir menos hormônios, e isso afeta o funcionamento de vários órgãos. Na medicina chinesa, nós acreditamos que o desencadeante é o fígado que, pela idade e problemas emocionais, sofre um bloqueio e afeta o funcionamento dos ovários. Dessa forma, receitamos fórmulas naturais que trabalham nesse ponto e melhoram os efeitos da menopausa'', explica o nutrólogo Júlio Takeuki Higashi. Para completar o tratamento, sessões de acupuntura devolvem o equilíbrio corporal.
A grande vantagem desse tratamento é que ele se baseia no uso de ervas naturais, que não oferecem riscos à saúde. ''A medicina tradicional chinesa existe há mais de dois mil anos e apresenta resultados comprovados cientificamente. Nos casos da menopausa, eles começam a aparecer nos primeiros dez dias'', garante Higashi. Para a ginecologista, a vantagem da TRH são os benefícios gerais que aparecem no corpo feminino. ''A mulher que faz reposição volta a sentir bonita e disposta para a vida. Eu faço reposição e não saberia viver sem ela'', finaliza.n

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