O que existe do outro lado do mundo?
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quinta-feira, 14 de agosto de 1997
Francelino França 
Milton DóriaDe volta a Londrina, Ludinei e Karina levam aos quatro cantos da cidade o conhecimento adquirido em terras tão distantesNo dia 23 de agosto de 1996, a estudante Karina Moniz Tavares desembarcou em Moscou para o início do intercâmbio internacional. O termômetro oscilava em torno de 10 graus, apesar dos moscovitas desfilarem de camiseta, como se fosse o mais tórrido verão. Mas um incidente constrangedor acabou envolvendo a intercambista. Um brasileiro que estava no mesmo vôo foi detido porque carregava drogas, e ela, por ser brasileira, foi interrogada também. Desfeito o mal-entendido, Karina passou duas noites na capital russa para aprender algumas regras de convivência.
A jovem ficou em Yaroslavl, cidade de 1 milhão de habitantes, situada entre Moscou e São Petersburgo. Estou do outro lado do mundo e extremamente feliz, foi o primeiro pensamento de Karina em terras tão distantes. A pergunta mais recorrente que hoje fazem à estudante é Por que a Rússia?. Ela diz que pretendia conhecer um lugar diferente e a Rússia foi o primeiro nome que surgiu. As poucas informações que ela possuia sobre a terra de Lênin se restringiam ao frio, à vodca, ao idioma impronunciável e ao comunismo.
Nos dois primeiros meses, Karina estudou com crianças de 7 anos, na primeira série, até aprender a língua russa. O idioma fluiu após a estudante sonhar em russo. Num dos sonhos, ela estava brincando na neve e falando que estava quente. Em outro, a Rússia fazia fronteira com o Brasil.
Se nós brasileiros não temos muitas informações sobre aquele país, o contrário também é recíproco. Como é morar em árvore? - podem acreditar, mas foi essa uma das primeiras perguntas que fizeram à brasileira. Mesmo constando da programação da televisão novelas como Malhação e A Próxima Vítima, esta, inclusive, mostrando as ruas de São Paulo, fica difícil acreditar que uma pergunta como essa pudesse ser feita.


