O primeiro filho
O primeiro filho
A insegurança
é comum nas
mamães de
primeira
viagem. A
confiança
reaparece à
medida que
elas se armam
de informações
e apostam
na própria
intuição
Jossânia Navolar
Dorico da Silva
O médico pediatra Renato Mikio Moriya tranquiliza as futuras mamães, lembrando que a maternidade envolve a parte intuitiva que todas elas têm condições de desenvolver
O primeiro filho deixa a vida de pernas pro ar. A fragilidade (e olha que o bebê não é tão frágil assim), a exigência e os cuidados relacionados a uma criança assustam num primeiro momento. E isso tudo tem uma razão de ser. Antigamente, as famílias eram numerosas, a vida era tranquila. Quando uma
mulher ia dar à luz, a mãe, as irmãs, as amigas e as comadres praticamente se apoderavam da casa. Durante quarenta dias, não deixavam a nova mamãe sair da cama. Os afazeres domésticos eram divididos e ela era poupada até de notícias ruins que rondassem a vizinhança.
Exagero? À primeira vista pode ser, mas se for considerado o stress emocional e físico que um parto representa, é preciso reconsiderar alguns conceitos desses velhos e bons tempos. Que gravidez não é doença todos estão cansados de falar, mas, muitas vezes, se esquecem de lembrar que gravidez é mudança e, portanto, implica crises físicas e emocionais.
A enfermeira Lylian Dalete Soares de Araújo lembra que a dificuldade (física) que as mulheres enfrentam hoje na amamentação tem a ver com a maneira com que foram criadas. Essas mulheres foram bebês da geração mamadeira. Há 30 anos, era moderno amamentar o filho com mamadeira, e muitas mamães modernas não viram ninguém amamentando no seio, explica.
Josóe de Carvalho
Para a enfermeira Lylian Dalete Soares de Araújo, a informação permite à mulher aplacar a insegurança gerada com a chegada do primeiro filho
Informação Antigamente, as famílias numerosas, geralmente compostas por 10, 12 irmãos, faziam com que os filhos mais velhos (principalmente as filhas) cuidassem dos menores. O que de certa forma servia como aprendizado para o futuro. Atualmente, segundo a enfermeira, muitas mulheres só vão pegar um bebê pela primeira vez quando se tornam mães, o que resulta numa insegurança muito grande.
Depois do parto, a mulher volta para casa para enfrentar o dia-a-dia, sentindo-se completamente desamparadas. Como cuidar daquele ser minúsculo, totalmente dependente dela? Como administrar essa nova vida, com a casa, o casamento, o trabalho (que para algumas não dá sossego, nem mesmo nos quatro meses de licença-maternidade)?
Segundo Dalete, a arma para enfrentar tudo isso é a informação. O novo e o desconhecido sempre amedrontam. Se a mulher for bem orientada, sabendo a quem pedir ajuda, ela vai se sentir muito melhor e bem mais segura, ressalta. E para que o retorno à casa depois do parto possa ser mais tranquilo, os cuidados devem começar antes da gravidez. Os exames feitos antes (pré-concepcionais) e durante (pré-natal) a gravidez são os primeiros passos para uma gestação e parto tranquilos.
Intuição Cursos e literatura informativos sobre a gravidez e preparação para o parto são fundamentais. Nos países desenvolvidos, eles são pauta obrigatória, e sempre que possível também frequentados pelos futuros papais. Esse cursos esclarecem dúvidas, dão macetes e dicas importantes para resolver pequenos contratempos e proporcionam segurança para a nova realidade que está surgindo na vida desses casais.
O médico pediatra Renato Mikio Moriya concorda com a enfermeira Lylian Dalete. Para ele, a futura mamãe precisa buscar todos os meios disponíveis de informação. Além disso, é necessário curtir bastante esse período de espera. E encarar o nascimento como algo natural. A maternidade envolve a parte intuitiva que a mulher tem capacidade de desenvolver. Durante a gravidez, e principalmente após o parto, ela fica com a emoção à flor da pele, o que lhe possibilita captar e atender as necessidades da criança, diz.
Moriya tranquiliza as futuras mamães lembrando que são muito mais capazes do que pensam. Para ele, a jovem mãe também possui energia e conhecimento. No entanto, essas qualidades emergirão à medida que forem requisitadas. É o que na prática todas as mães acabam descobrindo. Porque, afinal, só se aprende a ser mãe, sendo. No entanto, procurar ajuda, informar-se através de cursos, livros e de orientação de profissionais especializados, pode facilitar esse aprendizado. No mais, é deixar a intuição seguir seu curso, abrindo caminhos.
Serviço
Cursos para gestantes:
Em Curitiba:
* Hospital e Maternidade Santa Brígida
Em maio, o curso será ministrado nos dias 14, 19, 21 e 28, sempre das 14 h às 18 horas, na sede da Associação Médica do Paraná.
Informações pelo telefone (041) 376-1316.
Obs: a cada mês mudam os dias do curso.
* O médico Moisés Paciornik reúne as gestantes todas as sextas-feiras, às 14 horas, para falar sobre o parto de cócoras, na Maternidade Paciornik. Informações pelo telefone (041)232-3232.
Em Londrina:
* Hospital Evangélico, às terças, das 13h30 às 16h30.
Duração: três meses. Informações pelo telefone (043) 324-1640
* Deleite Clínica de Aleitamento Materno (curso para casais)
Duração: cinco noites.
Informações pelo telefone (043) 323-4242.
Em Maringá:
* Serviço de Informação à Gestante:
* Santa Casa, fone (044) 227-5633, ramal 1065, com Marluce
* Hospital Universitário, telefone (044) 224-8585, com Stela
* Hospital Paraná,(044) 224-2322, com Eunice





