Celso Mattos
Eles vão ser pais pela primeira vez, e não é preciso muito esforço para perceber. Afinal, a felicidade está no rosto deles. Basta tocar no assunto para descobrir que a ansiedade que sentem é muito semelhante à da futura mamãe. Mesmo não sentindo o bebê mexer dentro da barriga e nem passando por todas as mudanças físicas causadas pela gravidez, eles afirmam que a paternidade traz profundas transformações.
‘‘No último exame de ultra-som que minha mulher fez, o bebê estava sorrindo. Quando eu vi aquele ser tão pequeno já expressando seus sentimentos, não tive dúvida de que Deus realmente existe’’, conta o empresário Edno Frutos da Silva, 32 anos. Sua mulher, Flávia Pomin, está no quinto mês de gravidez. Eles ainda não sabem o sexo, mas os nomes já foram escolhidos. ‘‘Se for menina será Ana Flávia, se for menino será Juan. Eu não tenho preferência, mas tenho quase certeza que será menino’’, aposta Edno.
Ele considera fundamental o pai participar de cada momento da gravidez da mulher. ‘‘Todas as vezes que ela vai ao médico eu vou junto, acompanho os exames e quero, se possível, assistir ao parto para dar uma força à Flávia e também ver o momento em que meu filho vir ao mundo. Deve ser muito emocionante e inesquecível’’. Edno Frutos acredita que essa interação entre pai e mãe durante a gestação dá mais segurança ao bebê. ‘‘É importante ele saber que está sendo esperado com muito amor’’, acrescenta.
Ao mesmo tempo em que está feliz, Edno Frutos demonstra preocupação com a idéia de ser pai. ‘‘Estamos vivendo em um mundo de muita instabilidade e insegurança, portanto, fico me perguntando como será o futuro do meu filho. Afinal, ele fará parte da geração do terceiro milênio e isso me assusta um pouco’’, confessa Edno.
Paternidade tardia A maioria dos homens não sabe dizer qual foi a última vez em que chorou. Mas o empresário César Cremonez, 35 anos, tem a resposta na ponta da língua. ‘‘Foi quando vi o primeiro ultra-som de meu filho. Agora, imagine como vai ser quando eu pegá-lo no colo pela primeira vez...’’. Ele não demorará muito para saber. Sua mulher, Giselle Zaninelli, está grávida de sete meses de uma menina. ‘‘Ela vai se chamar Carolina’’, conta. Mesmo gostando de criança e desejando ser pai, César explica que optou pela paternidade tardia por questão de segurança. ‘‘Para constituir uma família, primeiro é preciso ter uma situação econômica estabilizada, garantindo aos filhos uma boa educação’’, observa.
César Cremonez conta que pretende ter, pelo menos, mais um filho. ‘‘O ideal seria um casal, mas se vier outra menina, tudo bem’’. Ele afirma que a paternidade não começa com o nascimento, mas com a fecundação. ‘‘Por isso, eu digo que sou pai há sete meses. Converso todos os dias com minha filha e sei que ela me ouve e me compreende. Mas não consigo imaginar como será a sensação e o que eu vou sentir quando segurá-la pela primeira vez no colo’’, diz emocionado.
Ao contrário dos casais Edno e Flávia, César e Giselle, que planejaram a gravidez, os estudantes Paulo César Alves, 19 anos, e Ana Paula Matos, 17 anos, vão ser pais antes de ser marido e mulher. ‘‘Na hora foi um choque e não deu nem para curtir, mas agora que as coisas se acalmaram, estou muito feliz’’, conta Paulo César, que vai ser pai daqui há três meses. ‘‘Minha vida mudou muito. Antes, eu não me preocupava nem com o meu futuro, agora tenho que me preocupar com o meu e o do meu filho’’, afirma.
Paulo César confessa que nunca passou pela cabeça dele não assumir a criança. ‘‘É meu filho e farei qualquer coisa para que ele seja feliz e que tenha tudo o que precisar’’. Mesmo estando numa situação pouco favorável à paternidade, Paulo César não perde a corujice de qualquer outro futuro papai. Ele guarda sobre o criado-mudo um porta-retratos com a foto do primeiro ultra-som do bebê. ‘‘Agora, ele é o meu objetivo de vida’’, comenta, ressaltando que pretende se casar logo após o nascimento do filho.Pais de primeira viagem aguardam a chegada do bebê contando dias, minutos e segundos
Fotos: Daniel Procópio‘‘Se for possível quero assistir ao parto para dar apoio à minha mulher e ver meu filho vir ao mundo’’, diz o empresário Edno Frutos da Silva, ao lado da mulher, Flávia Pomin, grávida de cinco meses‘‘A paternidade começa na fecundação’’, afirma o empresário César Cremonez, com sua mulher, Giselle Zaninelli, grávida de sete meses

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