Somadas às preocupações corriqueiras que fazem parte do dia-a-dia de todas as mães, as atuais manchetes dos jornais são pesadelos constantes. Para elas, preparar os filhos para o futuro significa, sobretudo, ensiná-los a se proteger da realidade. Desemprego, violência e vícios são ameaças suficientemente próximas para que a educação seja encarada como um desafio e até mesmo uma incógnita.
‘‘Devo prepará-lo para ser um Van Damme ou um garoto certinho?’’, questiona a administradora de empresas Carla Miranda Silva Dantas de Souza, 28 anos, mãe de Ygor, 1 ano. Ela conta que mesmo antes de engravidar, a educação que daria a seu filho já a preocupava. ‘‘Hoje, as crianças têm muita liberdade, estão mais espertas e difíceis de controlar. Até o Ygor já tem opinião própria. Imagine quando começar a ir para a escola’’, argumenta, consciente dos perigos que existem dentro de uma sala de aula e no convívio com os colegas. ‘‘Pretendo conversar bastante com ele e ensiná-lo a evitar drogas e escolher suas companhias na escola’’, planeja ela.
Na opinião de Carla, a televisão poderia contribuir para mudar a situação, criando mais programas educativos, mas, ao invés disso, acaba incitando a violência e os maus hábitos. ‘‘Hoje, é moda fumar e fazer bagunça. Antes, as coisas não eram tão acessíveis. A gente educa de um jeito e lá fora muda tudo’’, lamenta, diante do futuro desconhecido do filho. ‘‘Tive a sorte de ser educada em um bom colégio e de ter tido boas companhias, mas não sei se vai acontecer o mesmo com ele’’.
A psicóloga Rosana Kowalski, 40 anos, também se preocupa com a influência das companhias. ‘‘Às vezes, eles ouvem mais os amigos do que os pais’’, afirma. Nas conversas com os filhos, Luciano, 9 anos, e Marcele, 14, ela procura ser realista. ‘‘Mostro que o mundo em que vivemos não é um sonho, para evitar que eles tenham um choque na hora em que se depararem com a realidade’’, diz. O papo com a mãe é encarado de forma diferente por eles. ‘‘Para Luciano, por enquanto, o que digo é o certo; Marcele sempre leva em conta a opinião dos amigos, só acata o que interessa’’, observa Rosane, que considera essa filtragem de informações uma de suas maiores dificuldades como mãe. ‘‘Gostaria que ela ouvisse 100% dos meus conselhos’’.
Ao buscar o equilíbrio entre liberdade e autoridade - sempre impondo limites - Rosane baseia-se na educação que recebeu de seus pais. ‘‘O comportamento pode ser diferente nas diversas etapas da vida, mas o que conta é a índole formada pela educação que recebemos em casa’’, salienta. Vislumbrando um futuro longe do seu rebento, ela se prepara, desde já, para a independência dos filhos. ‘‘Quero que conheçam o mundo, saiam da barra da minha saia’’.
Para a empresária Giane El Haoli Guglielmi, 32 anos, a independência dos filhos é um fato distante. Diego tem apenas dois anos e sete meses, e Bruna veio ao mundo na última quarta-feira, um dia depois de Giane posar para as fotos desta edição. Mas as suas preocupações não são diferentes das mães com maior quilometragem no ofício. ‘‘Me preocupo demais com vícios porque tudo está facilitado hoje, e também com o mercado de trabalho. Será que vai haver emprego para eles?’’, indaga. A relação com a sua mãe, sempre muito aberta, é a maior inspiração para a educação que pretende dar a seus filhos. ‘‘Desde já, converso sobre tudo com o Diego, ensinando a diferença entre homem e mulher, por exemplo’’. Segundo Giane, a família dá a base, mas não pode controlar as opções individuais. ‘‘Vou fazer a minha parte, mas eles é que vão escolher os seus destinos’’, afirma.
A engenheira Soraia Pegoraro Nonino, 39 anos, aposta na pouca diferença de idade entre ela e os filhos, Camilo, 19 anos, Fernanda, 16, e Renata, 15, para manter uma relação de cumplicidade. ‘‘Participo da vida deles em todos os aspectos, falando e ouvindo, temos um diálogo muito bom’’, conta. Uma de suas maiores preocupações é ser sempre coerente durante os papos. ‘‘Não adianta só falar, tem que dar o exemplo. É preciso observar tudo para não entrar em contradição. Não adianta dizer aos filhos que fumar é prejudicial, quando se é fumante, ou falar que é preciso estudar, quando não se tem uma profissão. Os pais serão referência sempre’’, avisa.
Para Soraia, no futuro ideal de seus filhos, vida profissional e familiar teriam o mesmo peso. ‘‘Quero que escolham uma profissão que lhes dê gratificação e sustento, sem nunca esquecerem o valor da família - ela é o suporte emocional, é a base do indivíduo. E que não pensem exclusivamente neles, trabalhem também em benefício da sociedade, e nunca se esqueçam que Deus é o centro de tudo’’.

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