O preço de um reinado
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quinta-feira, 22 de março de 2007
Thiago Nassif<br> Reportagem Local 
Elas têm de 15 a 17 anos, cursam o ensino médio, já pensam no vestibular e cumprem diariamente uma maratona para se apresentarem belas e desenvoltas. Tudo em busca de um sonho: conquistar o título de Rainha da Exposição. Mas afinal, qual o preço de um reinado? O que esse título envolve? Com as respostas, as próprias eleitas em edições passadas.
Rainha em 2004, Maria Fernanda Malvezzi decidiu ingressar no páreo de última hora. ''Naquele ano, tínhamos o patrocínio de uma loja, então, antes do sorteio para saber qual marca de roupas iríamos vestir, não havia muito o que fazer. Foram três semanas de preparação'', lembra.
Na hora da escolha do figurino, Maria Fernanda foi - e continua sendo - contra os exageros. ''A produção das meninas tem que ser harmoniosa para que outros atributos como simpatia e desenvoltura possam se destacar, e não apenas a roupa'', entrega. À época cursando o colegial, Maria Fernanda, hoje acadêmica de administração de empresas, diz que para ser rainha, é preciso organizar os horários. ''Você tem que acordar mais cedo, cumprir agenda de compromissos, estudar a mais depois para repor aulas perdidas. Mas se pudesse voltar faria tudo de novo, não vejo como um sacrifício''.
No ano em que Marina Fonseca foi eleita (2005), a calça jeans era requisito obrigatório. ''Gostei de usar jeans, foi uma forma de inovar, mas, em questão de preferência, sou mais o traje completo''.
Acostumada aos refletores e passarelas, Marina teve que mudar seu jeito de se apresentar. E incorporou a rainha. ''Sou da opinião que, para conquistarmos uma vitória, temos que nos submeter a sacrifícios e regras. Então treinei bastante e fiz regime. Fiquei três meses me preparando''.
Rayssa Furlanetto, 16 anos, vestiu o traje completo, vindo de Barretos. No antes e depois da conquista da faixa, em 2006, ela contou com ajuda providencial do colégio. ''O concurso exige muito tempo e alguns compromissos coincidiam com provas e atividades escolares. Porém, a direção do colégio foi muito compreensiva e deixou que eu fizesse as provas em outros dias e adiasse alguns trabalhos, o que me ajudou muito''.
Facilidades no colégio, preparativos, três horas de ensaio... Para Rayssa, assim como para as demais, a figura da mãe se fez presente. ''Sempre achei que a Rayssa deveria seguir carreira de modelo. Ela quer ser médica. Então, quando surgiu o convite, incentivei desde o início. Ser mãe de rainha é um prazer, mas é também abdicação. A gente funciona como motorista e acompanhante'', conta a mãe, Milene.
Cursando hoje o último ano de direito, Giovana Paduan, 23 anos, foi a coroada em 2001. Para ela, que relembra com saudades sua época de reinado, tudo mudou: do local ao envolvimento das garotas. ''Hoje mudou bastante, é mais corrido, são muitos ensaios, muitos preparativos'', afirma Giovana, que vai ''contar aos filhos e netinhos que foi Rainha da Exposição.''
Na época de Giovana, Roberta Setti Meneghel (2000), Carla Costa Drummond (1999) como titulares da faixa, as roupas eram ''fechadas'', de manga longa, agora a tendência é outra: as garotas mostram mais o corpo com modelitos mais ousados. Os preços variam, em média de R$ 2,5 mil a R$ 5 mil. À roupa somam-se o book, tardes e mais tardes de cabeleireiro, gastos com faixas, apitos, torcida... Barato não é mesmo.
Glamour e pontualidade ''O fato de as candidatas serem responsáveis pela própria produção resgatou todo o glamour do evento. Acreditamos que este seja o melhor caminho'', defende Romana Piazzalunga Cesário Pereira, diretora social da Sociedade Rural do Paraná.
Para Romana, que considera as 10 candidatas ao título deste ano como ''suas novas filhas'', o concurso serve como um Baile de Debutantes para as candidatas. ''Elas são apresentadas à sociedade'', argumenta.
Rainha em 1993, a empresária Sibele Donadel, 29 anos, assiste até hoje ao vídeo que data sua consagração. ''Depois de eleita, participei e venci alguns concursos. Não segui a carreira de modelo porque não era a minha praia''.
Jurada na edição do último ano, Sibele cita a pontualidade como a característica essencial para quem for eleita rainha. ''Solenidades, leilões, shows, são muitos compromissos. Quem for rainha tem que ter consciência de que não está lá para se divertir e, sim, para representar a entidade.''


