‘‘Não tenho método, gosto de fazer experimentações e de me surpreender com os resultados’’Moda é o assunto da semana no Paraná. Enquanto Curitiba apresenta seus lançamentos primavera-verão no Shopping Mueller, Londrina e região assistem, até domingo, aos desfiles das lojas do Catuaí Shopping (leia box), além de conferir as coleções de alto verão nos estandes da Feira Moda Paraná, que termina hoje no pavilhão da Expoara, em Arapongas.
Com 130 expositores dos setores de confecção, tecelagem, etiquetas, softwear e máquinas, a feira conta com representantes de 60 cidades. ‘‘É uma das poucas realizadas nesta época devido à atual situação econômica do País’’, observa Djalma Luiz Ferreira, presidente do Sindicato das Indústrias do Vestuário do Estado do Paraná (Sivepar). A maior atração do evento foi a presença do estilista Lino Villaventura, que falou a profissionais e estudantes de moda na tarde de terça-feira. Paraense radicado no Ceará, ele abriu seu show-room recentemente em São Paulo.
‘‘Tenho todas as informações culturais possíveis dentro do Brasil: arte popular, cor da terra... Essas coisas são grandes fontes de inspiração para mim’’Informando que faria uma coletânea de inspirações e informações sobre seu trabalho, Lino mostrou slides de algumas de suas criações, imagens do figurino que criou para o cinema, e um vídeo com flashes de seus desfiles no MorumbiFashion. A platéia pôde ainda contemplar, encantada, um minidesfile com seis modelos de diferentes coleções do estilista, constatando o preciosismo de seus bordados, siliconados, nervuras e patchwork.
‘‘Não sei se há possibilidade do Brasil se tornar um lançador de moda, mas as coisas estão caminhando no sentido de o país consolidar um estilo próprio’’
O sentido de brasilidade fica claro nas suas criações. ‘‘A personalidade de um trabalho vem das nossas raízes. Tenho todas as informações culturais possíveis dentro do Brasil: arte popular, cor da terra... essas coisas são grandes fontes de inspiração para mim’’, revelou Lino, que, entre outros materiais inusitados, usa palha de buriti e barbante. ‘‘Sempre misturei muito os materiais. Há um certo preconceito quanto a isso mas, para mim, o que importa é a qualidade’’, disse.
Ao contrário da maioria dos estilistas, ele não segue tendências, mas inventa a própria receita de sucesso. ‘‘Não sigo um método, gosto de fazer experimentações e de me surpreender com os resultados. Tenho uma equipe à parte que fica só fazendo experiências com tecidos’’, contou. Para Lino, um de seus maiores trunfos é conseguir um resultado atemporal nas suas criações. ‘‘Coloco sempre nos meus desfiles modelos antigos, que fiz há 10 anos, para sentir como eles estão posicionados atualmente’’, revelou.
Looks da última coleção de inverno: nervuras e casa-de-abelhaDe acordo com o estilista, falar de moda no Brasil ainda é complicado, pois o país ainda não tem uma cultura de vestuário. ‘‘Não sei se há a possibilidade do Brasil se tornar um lançador de moda, mas as coisas estão mudando no sentido de o país consolidar um estilo próprio, como os americanos’’. O momento, segundo ele, é de extrema importância para a moda brasileira. ‘‘Os criadores passaram muito tempo fazendo trabalhos importantes sem que as pessoas tomassem conhecimento. O MorumbiFashion mudou isso’’, disse Lino, salientando que todos os eventos de moda que estão acontecendo no País são muito bem-vindos.

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