A memória das emoções e os mecanismos que o homem cria para contê-las e reprimi-las acabam sendo traduzidas no corpo, que costuma dar sinais claros, por meio de dores e desconforto geral, de que algo não vai bem. Uma das formas mais antigas de aliviar essas sensações é a massagem. No Oriente, a prática é valorizada há milhares de anos por suas aplicações curativas e por seus efeitos benéficos na saúde.
A massagem pode ser estimulante ou calmante, reconstituinte ou tonificadora. São utilizadas técnicas especiais que associam deslizamentos longos e profundos e trazem a sensação de paz e tranquilidade, sempre objetivando auxiliar a pessoa a redescobrir o sentido de bem-estar, a recuperar o senso de contato e o relacionamento com seu corpo, frequentemente perdidos no stress diário.
Caráter preventivo De acordo com a acupunturista e terapeuta corporal Inajá Husz, a massagem ameniza problemas circulatórios (drenagem de líquidos e gordura), além de atuar na parte imunológica, proporcionando maior resistência às doenças e combatendo o stress. O caráter preventivo é reforçado pela terapeuta.
''Fazendo massagem uma vez por semana, dificilmente a pessoa vai entrar em um processo de doença'', garante ela, que atua há 18 anos na área, tem especializações em massagem oriental e acupuntura na China e na Coréia, faz parte da equipe de pesquisa científica da Escola Paulista de Medicina na área de neurologia em cefaléia, e ministra cursos por todo o Brasil. Em Londrina, ela integra a equipe de professores do curso de formação em Massoterapia do Instituto de Pesquisa em Bioenergética (Ibesp).
Inajá ensina que todas as técnicas orientais de massagem são fundamentadas na medicina tradicional chinesa e em três princípios básicos: nos cinco elementos (água, madeira, terra, fogo e metal e na interação entre o micro e o macrocosmo); no yin e yang (forças antagônicas masculinas e femininas) e nos trajetos energéticos e meridianos do corpo (pontos de acupuntura).
Acupuntura sem agulhas De acordo com a terapeuta, o oriental não vê o corpo em partes separadas, mas como um todo. ''A emoção faz parte do órgão. Cada órgão corresponde a uma emoção específica. Tanto se pode afetar o corpo através da emoção como a emoção por meio do corpo'', explica Inajá, citando técnicas como Shiatsu, Tui-Na, An-Má e Reflexologia.
Uma das técnicas mais antigas com mais de cinco mil anos a Tui-Na nasceu na Índia, chegou à China e originou as demais técnicas. ''É uma massagem energética, uma acupuntura sem agulhas, com as mãos'', explica. A técnica tem duas etapas: primeiro, o toque energético, depois, a reflexologia dos pontos do meridiano. É uma massagem completa, física-emocional-energética, que compreende também a parte patológica. Nesse caso específico, chega a ser dolorida, já que estimula de 90 a 100 vezes o ponto afetado. ''Ao contrário do ocidental, que quer eliminar a dor, não importando se elimina a causa; o oriental a enxerga como uma expressão do corpo, um aviso de que há um problema, e não se incomoda em sentir dor se for para tratar a causa'', observa Inajá.
Equilíbrio energético Originária da China e desenvolvida pelos japoneses, a An-Má promove um relaxamento extremamente potente. ''Considero a mais poderosa que existe para relaxar. Além disso, faz também a drenagem de líquidos'', esclarece a terapeuta. Ao contrário dos movimentos da An-Má, que são mais suaves, os do shiastu são um pouco mais agressivos. Segundo Inajá, a técnica do Shiatsu se baseia em linhas de meridiano (trajetos energéticos no corpo). Os movimentos, cuja pressão é modulada de acordo com o tipo de problema, liberam a energia estagnada, trabalham a musculatura e melhoram a circulação sanguínea.
Na corrente oriental, a Reflexologia trabalha pontos da acupuntura, zonas de reflexo dos órgãos: mãos, pés, orelha, nariz, língua. ''Todos os microsistemas do corpo representam o corpo todo. Assim, pode-se atingir órgãos específicos massageando os pontos correspondentes'', ensina Inajá. A pressão pode ser feita com os dedos, sementes, agulhas e até laser.
Vitalidade Outra técnica que se baseia no equilíbrio geral do indivíduo é o do-in. ''Os dedos são pressionados em pontos do corpo que correspondem a órgãos específicos'', informa o clínico geral e acupuntor Alcino do Prado Vieira, que ministra a disciplina no curso do Ipesb. De acordo com ele, o do-in atua de forma preventiva, melhorando a vitalidade, pois faz circular canais energéticos.
''Pode ainda ser usado como coadjuvante no tratamento de resfriados, dores musculares, de garganta, cólicas menstruais, algumas dores de cabeça, bronquite asmática e stress'', informa ele, avisando que essa massagem não pode ser aplicada em pessoas alcoolizadas e em regiões dolorosas, com edemas, traumatismos ou ferimentos.
Entre as massagens com abordagem ocidental, a coordenadora do Ibesp, Adriana Aparecida Vitorino, destaca a dos quatro elementos: ar, fogo, terra e água. ''A idéia é suprir a pessoa com o elemento que está faltando para o seu equilíbrio'', explica. Feita com movimentos de pressão na pessoa deitada no chão, a técnica ''terra'' é indicada para casos de perdas, separações, desorganizações na vida. Já a técnica ''água'' trabalha a circulação sanguínea periférica, com movimentos leves, em ondas. ''É indicada para pessoas com artrose, artrite, osteosporose e rigidez em geral'', observa.
Para Abdallah Achour Júnior, mestre em atividade física e saúde e professor convidado do Ibesp, embora a massagem, de forma geral, seja considerada de fácil aplicabilidade pela maioria das pessoas, é preciso tomar algums cuidados ao recebê-la. ''Se não for bem aplicada, além de não trazer os benefícios esperados, pode gerar complicações'', avisa ele. n
Serviço:
O curso de massagem-massoterapia do Ibesp tem duração de dois anos e aulas uma vez por mês, nos finais de semana. As disciplinas contemplam as práticas manipulativas com base nas bioenergéticas oriental e ocidental, com aulas teóricas complementares de anatomia e fisiologia. Para se inscrever é preciso ter ou estar cursando o 2º grau completo.

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